Manaus, 23 de março de 2026
*Poeta e ensaísta, natural de Itacoatiara. Membro da União Brasileira de Escritores do Amazonas (UBE-Am), da Academia Amazonense de Letras e do Instituto Geográfico e Histórico do Amazonas.

Postagens do autor

O Japiim

O japiim, pássaro poliglota, vive em comunidade, repudia a violência e constrói sua colônia nos mesmos galhos das casas de caba.   Faz do trabalho uma festa frenética, talo a talo eleva no vôo

Vilancete dos três rios

Um remanso de panema poesia nada pequena.   Entre rios, encachoeirado, desce entre um delta intrincado, desce vazio de peixes, desce deserto de pássaros, é rouxinol de sonora glória maior que a dos homens,

Romance do banho

Era morena tostada, forte, esbelta como um cão, os cabelos eram claros de saboroso castanho; longas tiras escorriam na costa vincada em curvas – eram cobras encravadas no dorso de uma raiz; o calcanhar

Soneto

A saracura enfiara o bico verde na manhã pétrea e lúcida dos galos, feriu com o seu bico o lençol leve do dia que se abria como um lago de peixes de silêncio, massas ázimas

Balada da cidade do meu primeiro amor

Canoa do Roseiral vai no Paraná de Serpa corta as águas cor de barro no remo e no vento a vela, o remo de coração bate o remador na falca faz nas águas sons

Barro Verde

– 3 – No rio a lâmina transluz-se forte, pedaço fulvo de praia e sal. Os peixes nascem: escamas vivas, escumas alvas, rio coalhado. Lembro-te à mesa de toalha branca e pratos limpos, pimenta