Vinícius Alves da Rosa
Continuação da edição anterior.
2.6 Os diferentes pontos de vista sobre o conceito de comunidade
“O sociólogo não pode ignorar que é próprio de seu ponto de vista ser um ponto de vista sobre um ponto de vista”.
Pierre Bourdieu
O conceito de comunidade é um dos paradigmas que ainda motivam os debates nas Ciências Sociais. Trata-se de uma categoria conceito clássica que surge no contexto em que as mudanças sociais emergiam com a consolidação da sociedade capitalista. Os cientistas sociais, ao debruçarem-se sobre a nova ordem social, marcada pelas revoluções do século XVIII, visavam explicar um mundo radicalmente diferente. Mas como explicar a então nascente sociedade capitalista? Quanto a isso, fez-se necessário um quadro de referências para esclarecê-la.
Essas referências abrangem a expansão da cidade sobre o campo, a transformação do vilarejo em metrópole na Europa e a análise das sociedades chamadas pré-capitalistas. O contraponto comunidade e sociedade está presente nas produções acadêmicas de alguns dos autores clássicos, entre as quais se destacam:
- O Contrato Social, de Rousseau;
- A Ideologia Alemã, de Marx e Engels;
- A Divisão do Trabalho Social, de Durkheim;
- Economia e Sociedade, de Weber;
- Comunidade e Sociedade, de Tönnies.
Tendo como referência tais produções acadêmicas, a comunidade diz respeito à preeminência de grupos primários, relações sociais face a face, prestação pessoal, contato entre personalidades plenas e predomínio da produção de valor de uso. Assim entendido, o conceito de sociedade diz respeito à preeminência de grupos secundários, dissociação entre o público e o privado, relações sociais entre personalidades-status e organização contratual na maioria dos círculos de relações sociais, espraiando-se, por assim dizer, para o predomínio da produção de valor de troca (Ianni, 1989).
A sociologia realiza os estudos tendo como objeto de pesquisa a comunidade, enquanto instrumento de análise, uma vez que o ritmo de vida que caracterizava as sociedades pré-capitalistas as colocava como “um problema” a ser investigado. Na atualidade, os estudos também despertam interesse pelo assunto comunidade e, entre alguns estudiosos contemporâneos, destacam-se: Michel Maffesoli e seu livro O tempo das tribos: o declínio do individualismo nas sociedades de massa; Zygmunt Bauman, por meio da obra Comunidade: a busca por segurança no mundo atual; Anthony Cohen em The symbolic construction of community; e Charles Wagley, autor de Uma comunidade amazônica: estudo do homem nos trópicos, tornando-se, este último, um clássico nos estudos que tratam da realidade amazônica.
Tönnies: a dicotomia entre comunidade e sociedade
Uma das abordagens clássicas que este trabalho destaca é a concepção sociológica proposta por Ferdinand Tönnies, por meio da qual o autor estabelece a dicotomia entre sociedade e comunidade. De acordo com a obra, compreende-se que o conceito de sociedade implica a vontade dos seus membros; por sua vez, a comunidade é o lugar especial em que os semelhantes e familiares estão vinculados pela consanguinidade.
Comunidade é um tipo ideal, teorizado por Ferdinand Tönnies, que consiste em:
Tudo que é confiante, íntimo, que vive exclusivamente junto, é compreendido como a vida em comunidade, comunidade como a própria relação e, consequentemente, a associação que pode ser compreendida como uma vida real e orgânica – sendo isto então a essência da comunidade
Tönnies, 1973, p. 96
Nesse sentido, a teoria clássica estabeleceu distinções entre comunidade e sociedade. Para Tönnies, a sociedade pode ser comercial, empresarial, industrial, formada por um grupo de pessoas que aderem a ela. Assim entendida, esta representa o novo, mas é passageira e aparente, por se tratar de um agregado mecânico ou artificial. Ela, por sua vez, encarna o velho; trata-se de uma associação orgânica que manifesta a afetividade, a colaboração e a segurança, ou seja, nesse tipo de vínculo, as relações são mais fortes, verdadeiras e duráveis.
Na comunidade, segundo Ferdinand Tönnies, apresentam-se três espécies de relações que visam à aproximação, à compreensão, à língua, à concórdia, à reciprocidade, ao relacionamento, à unidade, à força e aos laços de sangue, as quais são compreendidas como leis principais.
[…] a unidade e a possibilidade de uma comunidade […] se apresentam em primeiro lugar e de maneira mais imediata, nos laços de sangue; em segundo lugar, na aproximação espiritual. É nesta classificação, portanto, que devemos procurar as raízes de todas as relações (associações). Daí nós construímos as leis principais da comunidade: 1) Pais e esposas se amam reciprocamente ou se habituam facilmente uns aos outros, falam e pensam juntos […] da mesma forma os vizinhos e outros amigos; 2) Entre aqueles que se amam (etc.) existe a compreensão; 3) Aqueles que se amam e se compreendem permanecem e moram juntos, regulam sua vida comum
Tönnies, 1973, p. 104
Portanto, para Tönnies, comunidade é o lugar onde a vida não é mecânica e as regras não são obrigatoriedades dos membros do grupo; por isso, o autor considera que a vida na sociedade é algo virtual. Ele foi um dos pioneiros da sociologia alemã, e suas ideias influenciaram intelectuais como Max Weber, o sociólogo que compreendeu ambos os conceitos como tipos de relação social.
Weber: relação comunitária e relação associativa
Na probabilidade de que uma forma determinada de conduta social (hostilidade, amizade, trocas comerciais, concorrência econômica, relações eróticas, relações políticas) tenha, em algum momento, seu sentido partilhado pelos diversos agentes numa sociedade qualquer. Em cada uma dessas condutas, as pessoas envolvidas percebem o significado, partilham o sentido das ações dado pelas demais pessoas (Weber, 2002).
De acordo com Weber (2002), sociedade é a relação social que resulta de uma reconciliação e de um equilíbrio de interesses motivados por juízos racionais, quer de valores ou de fins (arbitrário e técnico). Por sua vez, comunidade é um tipo de vínculo em que a ação se baseia no sentimento de solidariedade, resultado das ligações emocionais ou tradicionais entre os participantes (motivação afetiva, emotiva e tradicional).
Sendo assim, numa relação social é denominada “relação associativa” quando a atitude dos agentes se inspira no entendimento de interesses por motivos racionais. Por sua vez, a “relação comunitária” ocorre se a ação social é inspirada num sentimento de pertencimento. Weber (1999) compreende que as “relações comunitárias” apoiam-se sobre toda espécie de fundamentos afetivos, emotivos e tradicionais, ou seja, comunidade é a contraposição radical da luta, representando o sentimento de formar o todo. Seus tipos mais puros podem ser encontrados na irmandade espiritual, no relacionamento erótico, na lealdade pessoal, no companheirismo de uma unidade militar e, principalmente, na relação familiar (Weber, 2002).
A “relação associativa” ocorre quando a atitude inspira-se em uma compreensão por motivos racionais e numa união de interesses com idêntica motivação, ou seja, na sociedade a troca é estritamente racional, sendo os interesses opostos e objetivos (Weber, 1999). Seus tipos mais puros podem ser encontrados na natureza rigorosamente pragmática do intercâmbio no mercado livre (interesses opostos, mas complementares), na união puramente voluntária baseada no interesse próprio, cuja meta é a promoção dos interesses materiais específicos (por exemplo, econômicos) de seus membros, e na união voluntária baseada em valores ideológicos absolutos (causa) (Weber, 2002).
Weber (1999, p. 142) também ressalta que “nem toda participação comum em determinadas qualidades, da situação ou da conduta, implica uma comunidade”. Em suma, para o autor, a comunidade só existe propriamente quando a ação está reciprocamente referida ao sentimento de formar um todo. No que concerne a grupos identitários e suas crenças, o autor é enfático ao afirmar:
Os grupos étnicos são aqueles grupos humanos que, fundando-se na semelhança de um hábito exterior e de costumes, ou de ambos a um tempo, ou em lembranças de colonização e imigrações abrigam a crença subjetiva em uma procedência comum de tal forma que a crença é importante para a ampliação da comunidade
Weber, 1983, p. 318
A conceituação clássica de Weber é similar à de Ferdinand Tönnies, pois ambos entendiam a comunidade como um tipo ideal, ou seja, como uma construção conceitual sobre os grupos sociais e os seus membros. O autor postulou suas ideias sobre outras categorias de análise, elaborou críticas sociais em geral, mas também contribuiu com o debate sobre a sociologia da religião. Segundo o pensador alemão, a crença é importante para a ampliação de uma comunidade.
Gusfield e Cohen: do território ao símbolo
Para uma melhor compreensão teórica, a conceituação contemporânea, delineada por Joseph Gusfield (1975), merece ser revisitada, porque ao definir “comunidade e sociedade”, o autor afirma que os conceitos emergiram como opostos, por acentuar sociedade e diminuir comunidade, ou vice-versa. Sua proposta é que a realidade deve ser feita uma para a outra; comunal ou social, pois isso minimiza a ambivalência e a ambiguidade.
Gusfield (1975) entende que os principais usos feitos da noção de comunidade são: a) o uso no sentido “territorial, o conceito aparece num contexto de localização, de território físico, de continuidade geográfica”. Este é o significado, em parte dos estudos de fenômeno semelhante como “potência da estrutura da comunidade”, “a comunidade urbana” e “estudo comunitário”. Assim, os estudos sobre comunidade tratam da localidade dissociados dos mais remotos relacionamentos físicos.
A cidade, a vila, a vizinhança, o centro seriam os “loci” desses estudos, cujo foco é compreender o que ocorre em semelhantes entidades comunitárias, o que é a estrutura de autoridade, de classe, de relações, de governança. O segundo uso, o relacional, concentra-se na qualidade e no caráter dos relacionamentos humanos, sem referência à localização.
Gusfield (1975), em referência ao “tipo ideal” – comunidade e sociedade – apresentado por Max Weber como uma construção imaginada, criticou o conceito weberiano que reunia relações e eventos da vida histórica em um complexo sistema internamente consistente, mas que não descrevia a realidade, sendo apenas um meio de expressão.
Em contrapartida, o argumento de Anthony Cohen (1985) é de que a comunidade constitui uma categoria simbólica, visto que a análise feita por este estudioso deve ser direcionada no significado da comunidade e não na sua forma e estrutura. Para Cohen (1985), a maior parte dos estudos antropológicos e sociológicos concentra-se nas estruturas e nas formas de organização comunitárias. Por essa razão, ao abordar a cultura, o autor quer dizer que as pessoas adquirem símbolos que irão representar a sua vida social.
Neste sentido, a cultura é constituída por símbolos. Ela não impõe características determinantes; pelo contrário, simplesmente confere sentido a esses elementos; e o mesmo símbolo pode ter sentido diferente para as pessoas de diversos lugares, embora estas estejam estreitamente associadas como membros de uma mesma comunidade. Essa é a essência da comunidade: seus membros podem dar significado a determinadas coisas de forma geral ou somente no que diz respeito aos seus interesses individuais (Cohen, 1985).
Cohen (1985), em seus estudos sobre comunidade, analisou-a segundo o significado, e não em sua forma estrutural. Para tanto, em vez da estrutura, o autor considerou a cultura como o ponto de partida de sua investigação, ao contrário de outros estudiosos que consideraram que a estrutura determina comportamentos. Enquanto estes descreviam a comunidade como instituição, Cohen sustenta que ela já não pode ser mais descrita em termos de instituição porque se deve reconhecê-la como símbolo para que seus membros atribuam suas próprias significações aos símbolos que representam a comunidade.
Bauman: o paraíso perdido e o preço do pertencimento
Zygmunt Bauman (2003), ao discutir o conceito de comunidade, argumenta que há uma ideologia pré-concebida com relação ao termo. Isso significa que a concepção vigente associa comunidade à ideia de uma “coisa boa”, um “paraíso” de pertencimento a um grupo sem interesses individualistas. Idealiza-se que viver em comunidade significa estar relacionado a ambientes confortáveis, livres e seguros.
Uma parte integrante da ideia de comunidade é a “obrigação fraterna […] de partilhar as vantagens entre seus membros, independentemente do talento ou importância deles”
Bauman, 2003, p. 56
Dessa forma, imediatamente conclui-se que a concepção que os indivíduos possuem sobre comunidade é a “comunidade imaginada”, o “paraíso perdido”. Por essa razão, segundo Bauman, imagina-se que comunidade é o lugar que produz aconchego, todavia, ela não existe.
A comunidade realmente existente exige uma rigorosa obediência em troca de serviços, visto que existe um preço a pagar por esse privilégio, traduzido em normas e cobranças instituídas. Dessa forma, na medida em que a vivência comunitária implica a perda da liberdade, a autonomia individual acaba sendo frustrada (Bauman, 2003). Partindo dessa perspectiva, as considerações de Bauman são relevantes, pois modificam o conceito e dão um novo significado para se pensar comunidade.
A Amazônia como “laboratório”: a crítica a Wagley
Alguns dos seus escritos descrevem os grupos sociais que vivem na Amazônia, “vendem” ao mundo uma realidade baseada em pontos de vista contraditórios e “errôneos”. Esses estudos, influenciados por uma leitura clássica, consideram, sobretudo, que a região amazônica constitui um espaço onde tais populações vivem em comunidades, portadores de “tradições” que de nenhuma forma podem ser alterados.
Charles Wagley (1988, p. 44), ao debruçar-se sobre a Amazônia, estabeleceu conceitos acerca do significado de comunidade e observou que “qualquer comunidade da Amazônia brasileira serviria aos seus propósitos, como laboratórios de estudos de uma cultura regional e da forma pela qual ela é preservada por um grupo de habitantes da Amazônia”. Dessa forma, ao perceber que a região era um lugar adequado a esse tipo de estudo, o autor iniciou uma pesquisa sobre uma determinada “comunidade” na Amazônia.
Neste sentido, Wagley interpreta a comunidade de Itá tendo como referência a corrente culturalista, comparando as “comunidades” da Amazônia com as dos Estados Unidos. Em sua obra Uma Comunidade Amazônica, o autor analisa a localidade por ele chamada de Itá, inferindo haver, nela, vida em comum. A partir desse estudo, enfatizou que em qualquer lugar da Amazônia poderia evidenciar aspectos gerais da região.
Sabe-se que as “comunidades” mudam à medida que também repensam seus interesses e práticas. Novos aspectos são incorporados, enquanto outros são descartados. A vida na comunidade é carregada de significado e representações; por essa razão, ela pode implicar similaridade e diferença (Cohen, 1985).
A partir das análises de Cohen (1985), a interpretação de qualquer “agregado humano” ou qualquer “comunidade” da Amazônia não deve ser feita conforme estudos feitos em outros lugares, como fez Wagley, uma vez que a comunidade se opõe em relação a outras comunidades através da fronteira, que marca ou estabelece o início e o fim de uma comunidade, como afirma Cohen.
Na “comunidade”, todos acreditam nos mesmos mitos, praticam os mesmos cultos, conhecem as mesmas técnicas, manejam instrumentos idênticos e obedecem às mesmas normas. Isso não significa que haja harmonia, pois numa comunidade, como em qualquer agregado humano, existem conflitos e paixões. Porém, esses conflitos se desenrolam num universo comum
Durham, 2004
O Barranco de São Benedito e o Lago do Serpa
No caso da comunidade quilombola urbana do Barranco de São Benedito, em Manaus, e da comunidade rural Sagrado Coração de Jesus do Lago do Serpa, em Itacoatiara-AM, intriga saber o que os agentes sociais chamam de comunidade. Seria, para eles, a base física, a localização geográfica? Ou seja, o “locus” onde acontecem as práticas dos saberes e fazeres, tradicionalmente reinventados por meio de conhecimentos manifestados na religiosidade, na música, na arte e na gastronomia presentes na cotidianidade da unidade social? Contudo, embora expressem nos gestos e na musicalidade, a pesquisa evidenciou que suas relações são intensas e, em vários momentos, conflituosas.
Os territórios que os grupos étnicos ocupam em Manaus e Itacoatiara podem ser considerados, sobretudo, produtos das relações construídas no processo histórico-social em que se manifestam elementos de sua vida cultural, economia, religião e política. Trata-se de populações portadoras de tradições, de variações dos modos de vida, de padrões de comportamento, de formas próprias de se relacionarem e de histórias particulares; isso, contudo, não significa que sejam grupos sociais fechados, nos quais predomina exclusivamente a tradição. Eles são influenciados, também, pelas transformações pelas quais as cidades passam, pois há uma interação íntima entre os quilombos e o meio urbano. Sobre isso, diria Weber (2002) que não se deve permitir que isso nos engane a ponto de pensarmos que a coerção, por exemplo, não possa ser encontrada mesmo nas relações comunais mais íntimas, submetendo uns aos outros.
As considerações de Bauman (2003) são relevantes relacionadas a todos os lugares; assim como nas “comunidades” da região amazônica, também existe um sistema organizado de “regras” que todos devem seguir. Além disso, trata-se de relações nas quais coexistem conflitos, divergências de ideias e o sentimento de obter uma vida melhor com a introdução de novas tecnologias que contribuem para otimizar o dia a dia.
A partir do exposto, ressalta-se que os grupos sociais não são relativamente coesos e harmônicos apenas por conhecerem técnicas de produção tradicionais, por viverem em lugares ditos distantes ou habitarem próximos a rios, elementos estes, via de regra, entendidos como vinculados diretamente à natureza. Entretanto, esses aspectos se ampliam e se consolidam, de modo que suas relações não permanecem sendo as mesmas; elas modificam-se continuamente com a introdução de novos elementos culturais.
Os estudos sobre comunidade devem considerar que esta é uma categoria analítica, visto que não há como definir a comunidade tomando-a como um conceito estático. Assim, os sentidos atribuídos à ideia de comunidade, utilizados por estudiosos, devem ser percebidos como conceitos de vertente analítica para compreender as organizações sociais que existem numa dada região.
Os conceitos delineados se referem a uma comunidade idealizada. De forma direta, eles não se aplicam à realidade da comunidade quilombola urbana do Barranco de São Benedito, em Manaus, nem à comunidade quilombola rural Sagrado Coração de Jesus do Lago do Serpa, em Itacoatiara-AM. Isso significa que o entendimento de comunidade como entidade ideal, harmônica e perfeita, sem a ocorrência de conflitos, não é constatado na análise empírica das comunidades em estudo.
Os quilombos são territorialidades específicas e dizem respeito a questões que definem politicamente esse grupo étnico, o qual se expressa por meio de movimentos político-organizativos. O objetivo precípuo dessa luta diz respeito à conquista de direitos étnicos e territoriais cujas relações – sejam elas de conflito com seus antagonistas históricos ou com agentes internos – se estabelecem em terras tradicionalmente ocupadas.
Continua na próxima edição…
*Vinícius Alves da Rosa, quilombola de Morro Alto, RS, professor, doutor em Ciências da Religião.
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