Manaus, 17 de agosto de 2026

Cerca de jurubebas

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Quando meu saudoso pai José Lindoso foi governador do Amazonas continuei morando em Brasília, terminando meu curso universitário. Tirei férias e vim passar o Natal com meus pais. Um amigo da faculdade me disse que faria uma viagem de quatro dias para conhecer Manaus. Naquela época não havia celular. Dei a ele um telefone que seria da residência onde o governador, meu pai e mãe residiam.

O fato é que o amigo tentou falar comigo diversas vezes e não conseguiu. De volta a Brasília brincou comigo dizendo que eu estava incomunicável por estar protegido por uma forte e eficiente cerca de jurubebas. Disse-lhe que sem saber, sem merecer e sem necessidade fiquei protegido por suposta cerca de jurubebas que lamentavelmente impediu de nos vermos em Manaus.

Recentemente esse mesmo amigo me telefonou convidando-me para sua posse num mandato tampão de prefeito de uma importante cidade do Nordeste. Infelizmente não pude comparecer. Liguei ao amigo no número registrado no celular. Não era mais dele. Liguei em diversos números da prefeitura. Nada. Ainda não consegui falar com ele.

Depois de muitos anos quem ficou protegido por uma cerca de jurubeba foi ele. Diferente de mim. Ele sabe que a cerca existe. Possivelmente merece estar lá. E os seus assessores acreditam que há necessidade dessas jurubebas.

A planta jurubeba cresce em cercas, beiras de estradas e terrenos baldios. Como metáfora popular trata-se de uma barreira difícil, cheia de “espinhos”. A jurubeba é um arbusto nativo do Brasil que alcança até três metros de altura. É um arbusto rústico com espinhos curtos e curvos no tronco. Existe um dito popular que entende a “cerca de jurubebas” como ideia de “blindagem ás pessoas importantes. Os VIP’S. No caso de políticos, é função de assessores manter governantes e autoridades afastados do “povo” e protegê-los de críticas, curiosos ou gente “de interesse”

O assessor ou os assessores acham que estão ali para proteger o assessorado das demandas espinhosas. Assim, tentam impedir as pessoas o contato com a autoridade. Tudo para vetar a entrada de gente indesejada ou inconveniente. O pior, nestes casos, é que há assessorados que adoram esse tipo de assessor. Conhecendo meu amigo de longa data, ele provavelmente não é um desses.

Há pessoas que ainda nem foram eleitos e já estão cercados de jurubebas.

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