Manaus, 25 de fevereiro de 2024

Amazônia: História, mistérios e heroísmo

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CAP. I – As minas do rei Salomão

Todos conhecemos, seja pela leitura da Bíblia, seja pela literatura comum ou científica, ou ainda, por peças de teatro ou filmes, a lenda das minas do rei Salomão, o filho de Davi, considerado, na sua época, o homem mais sábio e rico do mundo, o qual eternizou-se, principalmente, pela construção do famoso Templo dedicado a Javé, em Jerusalém, onde hoje resta, somente, o Muro das Lamentações.

Para dar conta da empreitada Salomão uniu-se ao rei Hiram de Tiro, cujo povo, os fenícios, dominavam as águas nunca d’antes navegadas, o qual forneceu-lhe a mais refinada mão-de-obra, comandada pelo maior mestre construtor da época, Hiram Abif. Salomão desejava dotar a Casa de Deus com o que houvesse de melhor e, resoluto, preparou a sua frota de barcos para que, ao lado dos marinheiros e exploradores do rei Hiram, fossem buscar tais tesouros, ainda que nos confins da Terra. Diz-se que tais viagens se davam em intervalos de três anos, o que induz à conclusão de que o percurso era muito longo. O destino, só eles sabiam, assim como o modo de alcançá-lo. Quando de lá voltavam, vinham abarrotados de ouro, o mais puro que poderia haver; de madeira, inclusive perfumadas; de pedras preciosas; e de especiarias. Os nomes dos lugares, ficaram registrados nos textos bíblicos, sendo o mais famoso deles o de OFIR.

Todo esse território, segundo os escritos do visconde Henrique Onffroy de Thoron, intitulado “Antiguidade da navegação do Oceano, viagens dos navios de Salomão ao Rio Amazonas, Ophir, Tardschisch e Parvaim”, que foi publicado originalmente em 1869 no jornal geográfico O Globo, de Gênova, e em Manaus, num livreto de 51 páginas, na tipografia do Comércio do Amazonas, em 1906, estaria localizado entre a Colômbia e o Brasil.

Para Onffroy, as frotas de Salomão e Hiram estiveram aqui no Amazonas, onde instalaram colônias para extrair ouro, que foi levado para decorar o Templo de Salomão. O nome do rio Solimões seria uma homenagem ao grande rei da Judéia. Em hebraico seria Solima; em árabe Soliman; em português Solimão ou Solimões. Havia até uma tribo a oeste do Pará, segundo o autor, com o nome Soriman. Outros estudiosos respeitados como Torquato Tapajós (Revista da Sociedade de Geografia do Rio de Janeiro, 1889, tomo V, 4° Boletim; e Bernardo Azevedo da Silva Ramos, fundador do Instituto Geográfico e Histórico do Amazonas (IGHA), in “Inscrições e Tradições da América Pré-Histórica, especialmente do Brasil”, cuidam direta e indiretamente do tema, qual seja, o da presença daqueles povos em tempos ancestrais em nosso país.

São boas e várias as evidências. Há inscrições e artefatos que parecem justificar a hipótese e, mais do que isso, há semelhanças impressionantes entre as línguas indígenas e as línguas semíticas, bem como a similitude entre as mitologias tupi-guarani e a da Europa mediterrânea.

Se as frotas de Salomão e Hiram estiveram aqui, não se pode asseverar. Mas que a tese é robusta e sedutora, disso não se pode discordar. Talvez nunca saibamos com grau de certeza absoluta. Penso, contudo, que não haveria lugar mais apropriado para que um Templo dedicado a Deus tenha sido provido das dádivas da natureza Amazônica, esse Templo a céu aberto.

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