“Seu artigo recente O melhor resultado – lúcido, firme e incômodo como toda verdade necessária – devolveu à COP 30, ao Brasil e ao mundo uma reflexão essencial: a crise climática não é uma crise da natureza, mas sim uma crise da humanidade”
Prezado José Seráfico,
Receba esta carta aberta como gesto de reconhecimento público e, sobretudo, de gratidão. Em um tempo em que o ruído supera a razão, em que a pressa abafa a reflexão e em que o debate ambiental é frequentemente reduzido a slogans, sua voz continua sendo uma das poucas que pensam antes de falar, sentem antes de julgar e compreendem antes de condenar.
Seu artigo recente O melhor resultado – lúcido, firme e incômodo como toda verdade necessária – devolveu à COP30, ao Brasil e ao mundo uma reflexão essencial: a crise climática não é uma crise da natureza, mas sim uma crise da humanidade.

Victória Lobo
Sua leitura sobre Belém, sobre o planeta e sobre a arrogância que moldou o nosso tempo ilumina um aspecto que raramente encontra lugar nas mesas oficiais: a crise moral que sustenta a crise ambiental. Você relembra que a devastação não é produto do acaso, mas consequência direta de escolhas humanas marcadas por ganância, desigualdade e uma falsa sensação de superioridade sobre as demais formas de vida.
É por isso que seu texto é muito mais que uma análise – é advertência. Não é apenas diagnóstico – é convocação. Não é apenas narrativa – é um ato de cuidado.
Cuidado com a linguagem, com a verdade, com a integridade. Cuidado com a Amazônia e com as gerações que vêm depois de nós. Cuidado com o sentido maior da existência humana neste planeta compartilhado.
Ao afirmar que muitos dos desastres “ditos naturais” carregam a assinatura da ação humana, você devolve profundidade ao debate. Recorda que não basta apontar para o colapso; é preciso compreender a engrenagem que o produz. E essa engrenagem – como você demonstra – está enraizada em valores distorcidos, em estruturas de desigualdade que persistem mesmo diante da inteligência e da tecnologia que proclamamos possuir.
Seu texto honra aquilo que a Amazônia mais precisa: lucidez intelectual e coragem moral. Honra também o legado de pensadores amazônidas que, como você, sabem que a floresta não é apenas cenário, mas sujeito. Não apenas patrimônio, mas princípio de vida. Não apenas território, mas fundamento espiritual e político da nossa sobrevivência.
Por tudo isso, agradecemos. Agradecemos pela clareza que nos devolve. Agradecemos pela gravidade com que trata o que é grave. Agradecemos pelo rigor com que recoloca o homem no seu devido lugar – dentro da natureza, não acima dela.
Agradecemos, sobretudo, por continuar a escrever com o coração crítico e a mente desperta, lembrando a todos nós que não existe futuro sustentável sem revisão ética do presente.
Em nome daqueles que trabalham pela Amazônia, que a estudam, que a defendem, que a vivem, e que não aceitam a mentira confortável do progresso predatório, registramos aqui nosso profundo respeito e reconhecimento.
Com estima, admiração e compromisso,
Alfredo Lopes
Brasil Amazônia Agora
Manaus, Amazônia
2025
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