É motivo de grande preocupação para as autoridades educacionais o fenômeno da fuga de cerca de 10 milhões de jovens do ensino médio, que desertam dos estudos, com grande perda nos esforços pessoais e naatuação dos professores.
Cálculos estatísticos divulgados pelo Instituto Ayrton Senna mostram que 56% dos estudantes entre 15 e 17 anos estão atrasados no acompanhamento do ensino fundamental, e há 22% de jovens nesta faixa etária ausentes dos bancos escolares. Metade dos que abandonam a escola, saíram antes de chegar ao ensino médio.
A ONG “Todos pela Educação” verificou que oito em cada 10 municípios têm baixa aprendizagem em matemática. O mais grave é que quem fica fora da escola são os mais vulneráveis e desprotegidos e que mais necessitam, por razões de pobreza, deficiência, ou por morar em lugar ermo.
Foram apontadas como as principais causas da evasão: pobreza, violência, gravidez adolescente e principalmente a deficiente qualidade do ensino ministrado e o ambiente escolar sem motivação.
Para mudar a realidade, ajudaria bastante melhorar a infraestrutura das escolas – laboratórios, equipamentos e espaço de convívio, lazer e esportes. O transporte escolar seguro e o acompanhamento individual dos alunos com dificuldades no aprendizado facilitarão bastante. O currículo deve oferecer atividades que deem prazer e interesse aos educandos, com assuntos ligados à realidade local.
É importante instituir o apoio pedagógico aos estudantes para orientá-los sobre a importância e o valor da formação escolar. Há recomendações de especialistas no sentido de que seja abolida a figura do professor polivalente (que leciona todas as disciplinas) para o modelo em que há mestres especializados para cada matéria.
O ensino médio tem o mérito de tornar possível a formação, o emprego e a estabilidade funcional. Há impressão de que adolescentes não estão informados da relevância do estudo como mecanismo de ascensão social.
O abandono dos jovens às escolas acarreta graves consequências, além de sérios prejuízos ao futuro do país. A deserção decorre de colégios precários e nas áreas rurais, e, segundo dados do Instituto Nacional de
Estudos e Pesquisas (Inep) e do MEC, a taxa de fuga na 1ª e 2ª séries ultrapassou 12%. Urge criar meios que assegurem o interesse dos alunos nas salas de aulas, inclusive evitando a falta de atração dos discentes pelo conteúdo programático. Aspecto primordial a ser encarado é também o despreparo dos docentes, quase sempre com salários desmotivadores. Os estabelecimentos de ensino precisam ter atrativos no seio da comunidade e contar com quadros qualificados.
A situação se complica em razão da herança da crise econômica, gerada pelo populismo, corrupção, incompetência e arrogância de governantes, apesar da vagarosa e difícil recuperação do emprego no momento.
Na verdade, os jovens deixam os estudos para adentrar no mercado de trabalho e reforçar a renda familiar, em momento em que seria importante evitar sair da escola, para alcançar melhores conquistas no futuro.
A carência de conhecimentos e o despreparo causam prejuízos à atividade profissional e concorrem para o aumento do desemprego, além de afetar negativamente a economia.
O futuro e o desenvolvimento do país não podem prescindir de criterioso investimento na juventude, e a educação precisa ser considerada sempre com preferência e prevalência ininterruptas.
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