Manaus, 25 de fevereiro de 2024

Eras e aquarelas

Compartilhe nas redes:

Manoel Domingos de Castro
*Manoel Domingos de Castro

Meu caleidoscópio era íntimo da paisagem…
Tive horas de abius verde-amarelos,
De abricós, manga-espada e cutites,
Tive tempo de banhos na rampa,
Quintal da Igreja… ventos singelos,
Tivemos peladas com Zé Fite. 

Tenho horas mais brancas,
Horas de Serpa, horas francas.
Tempos de selva… de pedra e de relva.
Tenho porções agora menos francas,
Acelero o olhar na orla… que morena,
Não é mais Milício…
Mas me pego a seguir o comando do rio,
Olhos tácitos e coloridos ogros nas barrancas,
E aclamo o banzeiro, meus antigos exercícios…

Tenho inertes segundos… adiante…
Na avenida-parque, íntimos “benjamins”,
Daquelas horas de meninos e de curumins,
Ora, são paralisados verdes com ar febril.
Minha íris altera-se nesse instante,
Descromáticas sensações no cio.
Sinto e ardo nessa descoloração,
São sentidos, são fusos… são…

Minha primavera é cálida,
Velha em Serpa, quase sem bela,
Mas, em cores difusas, a faço válida.
Praça da Matriz, avenida, quintal dos Ramos,
Espaços de memória e sempre sentinela,
Em qualquer verão ou inverno, íamos
Mesmo sem cores ou sombras,
Foram e sempre serão nossas horas de aquarela.

*Poeta e escritor itacoatiarense.  Graduado em Letras pela UFJF-MG e mestre em Cultura e Língua Portuguesa em Portugal. Integra o quadro de docentes da UEA.

Compartilhe nas redes:

Uma resposta

  1. Prezado Francisco Gomes, minhas saudações poéticas, sempre renovadas!!! Amazônia nosso planeta, nosso mundo…nosso pano de fundo!!

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

COLUNISTAS

COLABORADORES

Abrahim Baze

Alírio Marques