Manaus, 25 de fevereiro de 2024

Folias de Momo

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Não é de hoje que a cidade de Manaus festeja as folias do rei do carnaval, o bonachão rei Momo, pois há registros bastante antigos de que essas alegrias e “arruaças” eram feitas bem ao modo brasileiro, ao ritmo de músicas e cantorias diferentes que chegavam a surpreender os desavisados visitantes ou estrangeiros que resolviam aportar ainda na Barra do Rio Negro. Esses folguedos não tinham os nomes pelos quais passaram a ser reconhecidos a partir dos primeiros anos do século XX.

No período mais rico da capital amazonense o que dominava as ruas eram os “carros alegóricos”, quase sempre financiados por empresas bem-sucedidas as quais, com isso, procuravam ampliar a simpatia do público. Além deles havia festas em bares e “terraces”, sendo o mais notável o Clube dos Terríveis, cuja sede ficava nas cercanias da atual igreja Catedral, esquina da Rua do Visconde de Mauá e costumava causar furor quando dos desfiles do bloco. O respeitável comerciante Pigarrilho, que mantinha hotel, bar, restaurante e “casa de show”, durante muitos anos foi o mais noticiado empresário do que hoje se chama setor de entretenimento, sempre apresentando novidades e, claro, algumas vezes a peso de libra esterlina como era costume.

Os desfiles pela principal rua da cidade, logo chamada unicamente de “Avenida” (Avenida Eduardo Ribeiro), que se tornou o principal “point” para a qual todos acorriam em qualquer data mais significativa, permaneceram por longos anos. Tempos depois, em razão da queda da economia essas folias esmoreceram, até que a Rádio Difusora – que transformou a forma de comunicação social desde os anos 1940 -, criação do brilhante Josué Cláudio de Souza passou a realizar ao longo dessa principal artéria as famosas batalhas de confete que nada mais eram do que bailes de carnaval a céu aberto, ao som de bandas com sambas, rancho e marchinhas, restabelecendo a graça e a vibração do carnaval popular de Manaus.

Os bailes elegantes nos clubes sociais permaneciam. O Atlético Rio Negro Clube e o Ideal Clube com as festas à rigor, para atender às celebridades; o Olímpico Clube e sua Kamélia, que atravessou os tempos e ainda baila pelas ruas da cidade abrindo o período do carnaval; e os Barés, Cheik, São Raimundo, Sul América, Constantinópolis, AABB, ASA, Fast, Nacional, União Sportiva Portuguesa, Bancrévea… e outros tantos, reunindo foliões de todas as idades na maior alegria. Depois, tiveram início os “assaltos carnavalescos”, quando o bloco de um dos clubes se dirigia quase sempre de improviso para brincar um pouco na festa do outro, causando a melhor sensação de novidade. Ao mesmo tempo os foliões isolados como o barqueiro, o brigue, os cordões, o Clube da Mocidade e sua irreverência maravilhosa seguiam subindo e descendo a “Avenida” contagiando o público que ia passear, comprar confete e serpentina, ouvir as músicas e se divertir a valer.

Durante anos foram realizados os concursos de fantasia – luxo e originalidade – nos quais alguns competidores se notabilizaram, os quais passaram a ser a principal atração de alguns clubes sociais mais requintados. Era espetáculo de luxo, requinte, criatividade e elegância. E foi este tipo de evento que fiz restabelecer pelo ano 2000, com os concursos na parte frontal do Ideal Clube, no Largo São Sebastião e no Teatro Amazonas, do mesmo modo que já havia feito em baile muito chic no Tropical Hotel, em 1983, quando foi traçado o Plano de Modernização dos Eventos Carnavalescos do Estado do Amazonas que redundou nos desfiles de Escolas de Samba, premiação a passistas, rei, rainha, blocos e escolas. Foi uma verdadeira revolução nas folias do rei.

A audácia foi tanta que não seria exagero dizer que, na ocasião, foi estabelecido novo marco e nova forma de brincar as folias do rei Momo as quais viriam a ser novamente transformadas com as grandes bandas de rua e o carnaboi, mais recentemente.

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