Manaus, 25 de fevereiro de 2024

Linguagem rebuscada

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Muitos me perguntam como vem a inspiração para escrever. Cabe ao cronista observar o mundo, as pessoas, os acontecimentos. O bom também é observar os fatos e comentá-los. Começamos o ano com muitas cerimônias de posse. Antes tivemos a Copa do Mundo. Nesses eventos canta-se o hino nacional. É de hinos que vamos falar.

No Reino Unido, durante o reinado de Elizabeth II o hino saudava uma rainha. God save the Queen. Deus salve a Rainha. Com sua morte, ascendeu ao trono Charles III. O hino dos ingleses mudou para God save the King. Deus salve o Rei.

Quando toca o hino britânico o soberano fica calado. Parece-me bem lógico. Tendo em vista que a letra do poema é em sua homenagem. E pede a proteção de Deus ao seu reinado.

Como a Inglaterra faz parte do Reino Unido, não há um hino específico para os ingleses. Em eventos esportivos às vezes toca-se Jerusalem e Land of Hope and Glory. Mas tem prevalecido o hino God save the King, principalmente quando o monarca está presente.

Nós também temos outros hinos além do hino nacional. Temos o hino da Independência e o Hino à Bandeira. Este último é meu favorito. Infelizmente o hino nacional é mal cantado e muito pouco compreendido pela maioria dos brasileiros.

Muitos não sabem que lábaro significa bandeira. O que seria um brado? E uma terra mais garrida? O que seria fúlgido, clava, penhor, retumbante? Qual o sujeito em “Ouviram do Ipiranga as margens plácidas, de um povo heroico o brado retumbante?

A letra do nosso hino tem uma história polêmica. No início os republicanos cantavam a Marselhesa. Era preciso um hino para o novo regime. Houve várias versões e muitos debates. Como o conhecemos, nosso hino foi oficializado a cem anos atrás, para a comemoração do centenário da Independência, em 1922.

A explicação mais plausível para a letra do hino nacional é o parnasianismo. Movimento literário no final do século XIX, em oposição ao realismo e ao naturalismo. Os autores parnasianos criticavam a simplicidade da linguagem. A proposta parnasiana era de uma poesia de linguagem rebuscada, racional e perfeita.

Não seria o caso de revogar o hino nacional. Apenas poderíamos adotar o Hino à Bandeira para cantar nos eventos e solenidades oficiais. A bandeira é de todos os brasileiros. Está acima de ideologias, religião ou etnia. Precisamos unir os brasileiros em torno de nossa bandeira. Penso que a linguagem rebuscada do hino não atende ao povo brasileiro

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