Manaus, 25 de fevereiro de 2024

Mão de ferro contra caminhoneiros, luvas de pelica a empreiteiros presos por corrupção

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O ministro da Justiça. José Eduardo Cardoso, estava dando uma entrevista na hora do almoço ao GloboNews. Entrevista não, um pronunciamento cercado de todo aparato de autoproteção à moda bem ditatorial. Ele na verdade ocupou o canal por mais de uma hora para detalhar seu plano de combate aos facínoras caminhoneiros que estão causando incontáveis prejuízos  à  nação em virtude dos bloqueios das estradas que estão promovendo desde a semana passada.

Será que esse imenso tempo de uso de um canal de TV é grátis?

E deitou falação em linguajar pesado e rude para com os irmãos caminhoneiros. Acusou-os de  verdadeiros “baderneiros, foras da lei”. Anunciou a la Nicolas Maduro, ou Hugo Chávez, como preferirem,  que os “delinquentes”  agora vão se ferrar.

E como! Determinou  multa de 5 a 10 mil reais por hora de paralisação. Isso mesmo:  5 a 10 mil reais por hora de paralisação. Repetindo tendo em vista não pensarem ser engano, para deixar bem claro o quanto esse Cardoso é macho.

De uma canetada determinou à Polícia Rodoviária penalizar de forma escorchante, exorbitantes pais de família pelo simples crime de estarem lutando por seus direitos. Direitos de greve assegurados pela Constituição.

O que os moveu à promover o bloqueio das estradas? Os altos custos dos combustíveis, das péssimas condições das rodovias, da falta de segurança, e os baixos preços dos fretes. Sob tais condições de trabalho eles e suas famílias estão passando necessidades, pois o frete cobrado mal dá para recuperar os gastos efetivos envolvidos nas viagens, muitas delas extremamente longas.

Inevitável a pergunta: como um ministro de Estado de um governo que se diz populista ousa não dispensar o mesmo tratamento condescendente a operários  rodoviários na mesma medida do concedido, a sorrelfa, a socapa, isto é, por detrás das cortinas, por baixo do pano, a advogados e executivos de  empreiteiras presos pela Polícia Federal por determinação do Ministério Público?

Como denunciado pela imprensa foram, empreiteiros e advogados, efetivamente recepcionados, espuriamente, com tapete vermelho por ele próprio, o ministro José Cardoso Alves, em seu gabinete no Palácio da Justiça, sede do Ministério da Justiça do Brasil, em Brasília.

Ele nem se deu ao trabalho de tentar negar o fato. Uma coisa é receber corrupto, ladrões do dinheiro público, inclusive dos caminhoneiros que pagam impostos; outra, bem diferente, é receber caminhoneiros ou qualquer outra categoria operária. Nem pensar.

Uma tremenda contradição, brutal incoerência, ato de absoluta discriminação para com aqueles que não têm milhões, nem contratos bilionários nem roubam o governo. Mas que, ao contrário, vivem do suor de seus rostos derramados na labuta diária ao longo das críticas estradas brasileiras.

Os caminhoneiros apenas querem ser ouvidos, que estudem suas reivindicações e tentem solucionar seus problemas. Algum crime nisso? Nenhum, evidentemente.

Ocorre que o almofadinha do ministro da Justiça, o mesmo que manda prender velinhas por não poderem pagar pensões de netos, não quer perder tempo ouvindo reivindicações da ralé. No seu entendimento vive de teimosa.

Portanto, movam seus caminhões ou “arquem com as pesadas consequências que serão impostas pela autoridade”. No final os advertiu grosseiramente: tentem desafiar as ordens do ministério!

Curioso: não vi o Lula e seus asseclas, nenhum sindicalista da CUT visitando caminhoneiros, procurando saber dos reais motivos que os levaram a ato tão extremo. Não, petista que compra duplex no Guarujá por dois milhões de reais, viaja mundo a fora em jatinho de empreiteiras, ou pratica pesca de alto mar em barcos de luxo de banqueiros, definitivamente não querem mais perder tempo com coisa tão comesinha.

Esses velhos sindicalistas, hoje marajás da política brasileira, querem distância dos sofrimentos que continuam vivenciando ex-companheiros dos velhos tempos do sindicalismo de resultado que os conduziram ao poder. Cada um que resolva seus problemas.

A situação mudou. Outras épocas. Os que foram mais espertos, agiram rápido. Passando por cima de pau e pedra, tornaram-se milionários. Lula, Dirceu, Genoino, Dilma e a elite da política populista brasileira não recordam mais dos tempos em que eram pobres.

(1) Este artigo é dedicado à minha amiga, empresária Zâmia Hebron, pelo muito que sua empresa e a classe das pequenas e médias  transportadoras vêm sofrendo nesses últimos tempos.

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