Manaus, 25 de fevereiro de 2024

Minha inutilidade

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Debruço num fundo poço

e vejo minha sombra imprecisa.

Do fundo gritam vozes e aflita ouço

palavras denunciando

a minha inutilidade.

Crianças morrem, não salvo,

mulheres se prostituem, não choro,

homens trabalham com fome, não clamo

e ainda ouso dizer generosa à humanidade:

eu amo.

No silêncio vibro e tramo

criar um mundo onde possa

dar às coisas solução.

Mas são ásperos os caminhos

cheios de muros, pedras, espinhos,

que me perco na solidão.

Volto a debruçar no fundo poço

procurando angustiada

a sombra de meu rosto

que aos poucos afunda e some.

Turvam-se as águas, reclamo,

as vozes gritam meu nome

o eco responde ao longe: desgosto.

Não tenho mais a coragem de dizer à humanidade:

eu amo!

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