Manaus, 25 de fevereiro de 2024

“Não é para passear”

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Não anda nada bem a postura da titular do Ministério do Meio Ambiente e |Mudança do Clima do Governo Federal do Brasil no que diz respeito à regularização e asfaltamento do leito de grande parte da Rodovia BR-319, manifestada todas as vezes que o assunto vem a baila e que políticos amazonenses, de todos os partidos, se manifestam reclamando providências para a realização das obras que se fazem necessárias há vários anos.

De uns tempos para cá as justificativas do Ministério e de sua titular deixaram de ser focadas nas questões ambientais pura e simples, na proteção da natureza, na defesa da floresta em pé, no risco de invasão das margens da rodovia e estabelecimento de grandes núcleos urbanos e de predadores humanos. Mesmo estas, diante de tudo que tem acontecido na Região durante muitos anos e estando a rodovia devidamente aberta e tido circulação precária por tanto tempo, mesmo estas justificativas não eram nem são suficientes para convencer qualquer cristão bem-intencionado.

Atravessando vários governos e suportando muitas promessas de solução que não se realizaram pelos mais variados motivos, e vem sofrendo deterioração crescente que culminou com desabamento de pontes fincadas ao longo da via, em razão de intempéries e de falta de manutenção, o caso da BR-319 está passando de “novela grotesca” contra os interesses econômicos e o desenvolvimento do Amazonas para se transformar em “piada de mau gosto”, precisamente porque, sem argumentos minimamente confiáveis e sérios, os indivíduos resistentes a esse justo pleito entenderam, agora, de proclamar que desejamos a realização da obra apenas para passear pela rodovia.

Só mesmo uma pessoa de má fé com a região pode cogitar que a defesa da regularização e asfaltamento final dessa rodovia decorre do interesse de promover passeios em viaturas motorizadas atravessando parte da floresta amazônica. E ainda que fosse, será que não teríamos direito de assim proceder e o Governo Federal não teria a obrigação de concluir a obra iniciada e abandonada, e, por isso, implicando em desperdício de recursos públicos?

Verdade é que essa postura jocosa, além de se nos parecer desequilibrada é a maior prova da falta de argumentos sérios que contestem de forma convincente as manifestações políticas e de governo insistentemente feitas em defesa do asfaltamento da BR, reclamações afinadas com o claro empenho dos setores empresariais e técnicos que são unânimes em demonstrar a importância dessa medida para a economia e o desenvolvimento da região, do Amazonas e da Zona Franca em particular.

A ela podemos responder que temos direito a essa providência governamental, seja pelos nossos impostos que contribuem para o País, seja porque rasgar a rodovia foi decisão federal acertada em busca da melhor integração do território brasileiro, e porque a Constituição da República impõe que sejam efetivadas ações que visem a redução das desigualdades regionais e a rodovia vai contribuir nesse sentido, ou, ainda, porque há, modernamente, meio e modos de o Estado enquanto Poder Público atuar – se quiser – para a proteção do meio ambiente sem a imposição dessa restrição descabida aos nortistas e ao Amazonas.

Não é para passear que queremos a solução definitiva das condições de trafegabilidade da Rodovia-319, mas para atender milhões de brasileiros que resistem em meio a antiga e continuada tentativa de manutenção da exclusão amazonense do Brasil desenvolvido e para o fortalecimento dos laços que nos unem em uma só Nação. Não é para passear! É para melhorar as condições de vida de milhares de pessoas. É para minimizar os problemas de nossa sobrevivência em um mundo encravado na floresta que – apesar de tudo – preservamos para o Governo Federal ostentar como patrimônio nacional.

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