Manaus, 25 de fevereiro de 2024

Peixes

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*Celdo Braga

 

Chega a dar água na boca
quando eu começo a lembrar
de uma boa caldeirada
de branquinha, de cará,
de bodó, acari-pedra,
tucunaré, tamuatá.

Ainda na caldeirada
o gostoso tambaqui,
a pescada no salpreso,
a joaninha, o jaraqui
só com farinha e pimenta
malagueta ou murupi

Pra comer frito, o mandií:
muito bom, melhor não há.
Surubim, caparari,
arari, xiripirá,
mandubé, matupiri,
dá gosto só de pensar

Na brasa, feito moquém,
matrinxã e apapá.
Pira pitinga, pacu,
aracu e jundiá,
aruanã (macaco-d’água),
cangati e mapará

Cuiú-cuiú no guisado
é um prato especial.
Melhor só pirarucu
que não conhece rival,
assado, frito, cozido,
é o peixe preferido,
fresco ou curtido no sal.

Feito de várias maneiras,
piramutaba, bacu,
pirarara, peixe-lenha,
braço-de-moça, jejú;
sarapó, só bem assado;
e se for bem preparado
há quem coma até muçu.

Dentre centenas de peixes
que a gente pode escolher,
pirabutão e pirinha
pegam tempero a valer.
Pacamão é esquisito,
mas no guisado ou no frito
é gostoso de comer.

Peixe-cachorro, traíra,
flecheira, curimatã…
A pupeca de sardinha
servida pela manhã
com café preto, pupunha,
macaxeira e tucumã.

Pirapucu, piraíba,
mojica de tambaqui,
escabeche de dourado,
pratos iguais nunca vi…
Por isso é bom ser caboco,
por isso eu gosto daqui.

 

*Amazonense do Alto Solimões, poeta, compositor e integrante do grupo musical Imbaúba.

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