Manaus, 25 de fevereiro de 2024

Soneto

Compartilhe nas redes:

Para D. Amine Lindoso

Como a brisa que canta nas avencas
a noite é sono santo, plenitude,
catástrofe e silêncio, solitude,
conversas de ancestrais, saudosas pencas

de fatos consumados, mágoas encas-
toadas pela dor ao caule rude
do tempo, sono e sonho da virtude
que o vento salmodia nas avencas.

Senhora, o verso vivo é como o vento,
fecunda-se no prado, forma o dia
no vale das manhãs, à tarde é lento

murmúrio do crepúsculo, alegria
da mesa familiar, amor e lida,
é tudo que o lutar nos prende à vida.

obs.: Como ressaltado, o Soneto homenageia Dona Amine  Lindoso, recém-falecida esposa do ex-governador do Amazonas, José Lindoso (1920-1993). Não obstante ser escrito com a clareza necessária à percepção do leitor, ele está cheio de recursos técnicos como, por exemplo, nos primeiros dois versos da segunda estrofe (“de fatos consumados, mágoas encas- / toadas pela dor ao caule rude”), em verdade não existe a palavra “encas”, mas sim “encastoadas”, que  Elson Farias, na sua ousadia formal, subdividiu para realizar a rima rara que vimos aí. Referido soneto foi publicado no segundo livro
de poemas de Elson Farias, “Estações da Várzea”, editado há 53 anos (1963).

Compartilhe nas redes:

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

COLUNISTAS

COLABORADORES

Abrahim Baze

Alírio Marques