
*José Lins
“Estrada Manaus Itacoatiara”, obra de José Lins, é aqui republicada em série com a devida autorização gratuita do Governo do Estado do Amazonas, por meio da Secretaria de Estado de Cultura e Economia Criativa, Departamento de Gestão de Bibliotecas (DGB) e seu Centro de Documentação e Memória da Amazônia (CDMAM). A republicação tem fins exclusivamente históricos e culturais.
EDITADO PELO GOVÊRNO DO ESTADO DO AMAZONAS
Secretaria de Imprensa e Divulgação
Palácio Rio Negro
Continuação…
De 1953 1956
IV
Vem ganhando consistência, nos meios mais autorizados, o movimento que tem por finalidade unir as cidades de Manaus e Itacoatiara, por meio de uma rodovia, buscando, no seu desdobramento, o opulento vale do rio Urubu. Nem fôra de esperar outra atitude daqueles aos quais cumpre preparar o futuro econômico do Estado, oferecendo ensêjo ao desenvolvimento e à consolidação de suas atividades produtoras, no campo da agricultura e na esfera da exploração e mobilização de suas riquezas nativas.
O “Jornal do Comércio”, e demais órgãos da imprensa amazonense, agasalharam em suas colunas inúmeras manifestações de compreensão e de entusiasmo por essa magnífica iniciativa. Programas para o futuro govêrno do Estado já incluem a rodovia Manaus-ltacoatiara entre as obras que terão prioridade e o orçamento do Plano Quinquenal da Valorização da Amazônia conterá, segundo nos adiantou o operoso e combativo deputado Paulo Pinto Nery, considerável verba para os estudos do traçado dêsse caminho, que virá imprimir novo vigor à estrutura econômica do Amazonas, num futuro não remoto.
Também a opinião autorizada do ilustre general Inácio José Veríssimo, uma das figuras de maior relêvo nos quadros superiores do nosso Exército, manifestou seus aplausos ao acêrto e à oportunidade dêsse empreendimento, em carta que nos dirigiu, cujo teor é o seguinte:
“Por mãos de nosso amigo Cordeiro de Melo recebi a sua corto de 8 e o ortigo que publicou no Boletim da Associação Comercial, sôbre o Estrada de Rodagem Manaus-
Itacoatiara.
Felicito-o por êle e sobretudo pelas sugestões que são na realidade, o ponto de partida para o início da Valorização na área geográfica do Estado do Amazonas. Porque êsse eixo Itacoatiara-Manaus – urna vez corporificado por uma estrada de rodagem e vivificado por uma série de pequenas propriedades:
– aumentará imediatamente a riqueza social da população:
– fará chegar aos mercados consumidores da cidade de Manaus e Itacoatiara – um vultoso volume de produtos alimentícios e de matérias primas;
– baixará, em consequência, o custo de vida nessas. cidades;
– aumentará o padrão nutritivo de sua população:
– permitirá se Iniciar (pela concentração da população) a correção da atual dispersão social que impede, ao Estado, seja êle Municipal, Provincial, Federal – de dar ao homem a assistência à saúde, à educação, ao trabalho, etc.
Por isso, sua proposta é eminentemente política, porque é econômica e porque concorre para a mudança rápida da estrutura da sociedade do Amazonas, que de sociedade dispersa, se iniciará em sociedade agrupada.
O argumento contrário que cita – de que há quem “afirme a desnecessidade do empreendimento invocando a alegação serôdia de que as duas cidades possuem comunicação fluvial”, poderá V. S. responder que:
– um eixo de comunicações terrestres não é apenas eixo de transporte;
– mas eixo de vida, de concentração humana e em consequência de produção de riquezas.
Evidentemente já há entre Manaus e Itacoatiara uma navegação natural fácil, contínua.
Mas isso não impede que êsse eixo viva dos extremos. Viva de Manaus e Itacoatiara. Da troca entre essas cidades e constitua assim uma linha e dois pontos econômicos extremos.
Compare-o com uma estrada de rodagem onde urna inteligente política de colonização colocou milhares de pequenas propriedades e deu a elas, com a assistência técnica ao trabalho, ao plantio, à colheita, à defesa contra a praga, ao armazenamento, etc., a escola, o hospital, a energia, a facilidade de transporte e se há de compreender que as funções sociais dêsses dois eixos de comunicações não são comparáveis.
Mas se imaginarmos abrir uma estrada entre Itocoatiara e Manaus e o conservarmos vazia de gente, vazio de trabalho, vazia de saúde, de escolas, da assistência estatal, etc então sim, não valerá a pena gastar recursos em dobrar o eixo de comunicações fluviais.
Mas não é isso que V. S. propõe. Ao contrário, a sua proposta é a da criação de “um farto e opulento distrito agrícola e industrial” colocado entre Manaus e Itacoatiara e debruçado sôbre uma estrada ligando as duas cidades.
Persista pois, na defesa de sua idéia que tem, entre outros virtudes, a de ser solução compatível com os próprios recursos do Estado”.
Sob tão valiosos auspícios é de crer que os próximos cinco anos serão assinalados por um dos mais expressivos acontecimentos na história do Amazonas, qual será a abertura de urna nova e fascinante fronteira, ao arrôjo das realizações pioneiros no plano da nosso economia de produção, tão carecedora de estabilidade e de enriquecimento”.
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INICIO DA CONSTRUÇÃO – Em 1955, finalmente, foi iniciada a construção da AM-I, gastando-se, à época, Cr$ 141 .278,50 em construção pròpriamente dita e…
Cr$ 285.419,00 em desapropriações e indenizações. O Govêrno do Presidente Eurico Gaspar Dutra criara no país o Fundo Rodoviário Nacional e os recursos arrecadados começaram e ser distribuídos entre os Estados da Federação, beneficiando-se, por consequência, também o Amazonas.
No ano de 1956, na estrada Manaus-ltacootiara gostou-se, em estudos e projetos Cr$ 2.668.517,50; na construção da estrada, Cr$ 292.839,50 e na conservação da mesma,
Cr$ 323. 538, 10, totalizando Cr$ 3.284.895,10.
Assim, nesse período 55/56, foram gastos na rodovia AM-1 Cr$ 3.711.592,60.
Continua na próxima edição…
*O Professor Doutor José dos Santos Lins foi um importante educador e escritor amazonense, reconhecido por sua contribuição fundamental para o ensino e a literatura do Amazonas, especialmente na segunda metade do século XX.
Sua atuação se deu primariamente na docência, tendo sido consistentemente referido como Professor Doutor, indicando uma formação acadêmica de alto nível.
Sua obra mais notável é a “Seleta Literária do Amazonas”, publicada em 1966. Este livro se tornou um material didático essencial, servindo como uma importante compilação de textos para garantir que as novas gerações tivessem acesso e compreensão da história e da literatura regional do Amazonas.
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