Manaus, 21 de abril de 2026

Abril azul

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Os meses do ano agora têm cores. Elas fazem alusão a alguma campanha, síndrome ou projetos. O azul de abril é para conscientizar a população sobre o TEA – Transtorno do Espectro Autista.

A palavra espectro refere-se a uma gama contínua de variações, intensidade ou características de um fenômeno, em vez de uma condição única ou fixa. Assim é o autismo, assim é a misteriosa cor azul.

Ernesto Penafort ficou conhecido como o poeta do azul. Usava azul em seus poemas e títulos de livros. Escreveu a trilogia do azul – Azul Geral, a Medida do Azul e o Limite do Azul

Lenir Feitosa, a quem Penafort chamou de Companheira Azul, explica que o azul que Ernesto usava não era a cor propriamente, O azul era algo ilimitado como o azul do céu. O azul do céu era o parâmetro para descrever o sentimento dele diante do amor. O autismo, por ser um espectro, também não tem limites definidos.

Sempre que penso na cor azul, me vem a mente a catedral de Chartres, na França. Os vitrais da famosa igreja têm um tom lendário de azul cobalto profundo. Segundo Erick Matias, amigo e professor de História da Arte, o azul intenso da catedral é característico dos vitrais do século XII e XIII na França. Este azul de Chartres ficou famoso pela sua luminosidade mística. É considerado um segredo medieval da arte gótica, criando a impressão de que a luz divina está presente no espaço. As causas do autismo também ainda são um segredo, a ser desvendado pela Medicina

Existe ainda o “Azul de Portinari”. Trata-se de um tom específico e intenso de azul frequentemente utilizado pelo pintor brasileiro Candido Portinari Esse azul criado por Portinari, diferente do azul de Ernesto Penafort, é uma cor que se tornou uma marca registrada da obra de Cândido Portinari. Especialmente em temáticas sacras. Quem visita a Catedral de Brasília pode verificar essa tonalidade na via sacra da igreja. Erick me disse que o azul de Portinari, exprime espiritualidade e a busca artística de nosso pintor maior. Essa cor marca o estilo único de Portinari no cenário artístico nacional.

Erick além de professor de História da Arte, também é pintor. Mostrou-me, em seu atelier, exemplos variados de tons dessa intrigante cor. O azul claro e pastel está no azul-bebê; azul-celeste; azul Hortênsia; Azul etéreo/porcelana e azul-turquesa. Mostrou-me também tons de azul escuro e profundo, como azul-marinho; azul petróleo; azul-da-Prússia e azul noite. Há ainda tons de azul vibrantes e intensos como o azul-cobalto; azul-royal e azul-ultramar. Este último um azul bastante profundo e intenso, tradicional na pintura. Por fim Erick falou-me de tons de azul acinzentados, aqueles que misturam o azul com cinza, ideais para destaque. Como o azul straus que é uma variação de azul clássico.

Assim como meu amigo Erick Matias é capaz de diferenciar e conhecer essas diversas tonalidades de azul, minha esposa Vera Lindoso, psicóloga clínica, reconhece as diferentes “tonalidades” do comportamento de crianças autistas De fato, há “diversos tons de azul”, no autismo. Existem uma ampla diversidade de sinais, sintomas e níveis de suporte, do leve ao mais intenso. Eles se manifestam de forma única em cada indivíduo. Assim como são únicos o azul de Chartres, o Azul de Portinari e o Azul da cor do mar, aquela música linda do Tim Maia.

HAICAI DA SEMANA

Flores cor azul.

As violetas e miosótis.

As rosas são rosas.

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