Há vozes que não são famosas, mas totalmente reconhecíveis, doces e jamais esquecidas.
Há crônicas que são encomendadas. Ou melhor, sugeridas.
Vozes é o tema da Patologia Cultural desse mês de outubro. Patologia é um evento periódico sob a batuta de meu amigo Paulo Queiroz. É uma reunião para congraçamento de membros da Associação de Poetas e Escritores Pan-Amazônicos, também comandada pelo Paulo. Pede-se que cada um leve uma peça autoral sobre o tema.
The Voice
O tema vozes me fez lembrar do grande cantor americano do século passado Frank Sinatra, conhecido como The Voice. A voz. Seu domínio absoluto sobre o timbre, a respiração, a afinação e a nuance criou uma assinatura vocal singular e inconfundível.
A voz do aeroporto
Existe uma voz inesquecível para brasileiros de minha geração. Em especial frequentadores dos principais aeroportos brasileiros. A inconfundível e sensual voz de Iris Lettieri. Uma das primeiras locutoras do Brasil, já falecida, Iris foi jornalista e cantora. Ficou conhecida como “a voz do aeroporto”. Gravações de Iris anunciavam chegadas e partidas em vários terminais país afora.
Certa vez fui buscar um americano no Galeão. Quando ele ouviu a voz de Íris, mesmo sem entender português, ficou fascinado. Perguntou se todas as garotas brasileiras falavam daquela maneira.
Para mim as vozes mais bonitas do Brasil eram da Gal e da Elis Regina. Pronunciar bem as palavras é uma arte. Para cantoras é fundamental.
Há muitos anos havia uma propaganda de xampu na TV, com uma moça de cabelos lindos, mas com voz fanhosa. Fez sucesso a segunda parte da campanha. A moça fanhosa dizia: “Minha voz continua a mesma. Mas meus cabelos. Quanta diferença.” Por algum tempo virou um bordão: “Minha voz continua a mesma…”
As vozes que ficam
Há vozes que não são famosas, mas totalmente reconhecíveis, doces e jamais esquecidas. Voz de mãe e de pai. Voz de avós e tios queridos. Voz de um primeiro amor. Vozes de vários e queridos amigos.
Tive uma colega professora que tinha uma voz espetacular. Ficou viúva jovem e mudou-se para o Canadá. Estava em Brasília quando soube que ela visitava a cidade. Liguei para ela. Havia muitos anos que não nos falávamos. Adivinha quem está falando.
Ela imediatamente disse que minha voz era inesquecível. Eu respondi que era incrível que uma voz inesquecível como a dela ache a minha inesquecível também.
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