Manaus, 19 de outubro de 2026

Celebrar a vida

Ilustração: crianças brincando num jardim florido diante de uma capela e de uma imagem de Nossa Senhora
Ilustração: imagem gerada por inteligência artificial

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O 12 de outubro é um dos feriados mais significativos para o povo brasileiro. É quando a nação, com o coração aberto, abraça o sagrado e o humano.

O amor de mãe, a inocência do brincar e o aprendizado que nasce em sala de aula, com os professores.

Para os católicos, os diversos Círios que se espalham pela Amazônia se encontram na mesma fé, na mesma gratidão. É a devoção na Mãe de Deus, que veio das águas do rio Paraíba do Sul, onde a imagem de terracota, unindo seus pedaços, abençoou os brasileiros e ensinou que o que se parte também pode se tornar dom. E se funde no amor à mesma Virgem de Nazaré, em Belém do Pará.

A devoção a Maria, mãe do Salvador, atravessa séculos e segue gerando esperança. Nos espaços de fé de matriz africana, também se festejam as águas doces e a alegria das crianças, como quem reconhece no sagrado a continuidade da vida, do cuidado e do recomeço.

Para os brasileiros, as comemorações de outubro não precisam se fechar em dogmas. Podem, e devem, ser abrigo comum, ponte entre diferenças, encontro entre pessoas.

Os professores e as crianças

E, neste mês, homenageiam-se também os professores. Homens e mulheres devotados, que ensinam com paciência, corrigem com amor e fazem da escola um lugar onde o futuro começa. A Senhora Aparecida, a mesma Virgem de Nazaré, e a alegria das crianças nos lembram que todos buscamos proteção e afeto, caminhos para crescer com dignidade.

É primavera ao sul do Equador

Além de tudo, é primavera ao sul do Equador. A estação em que a vida desaprende o silêncio e volta a colorir o mundo. O céu fica mais aberto, o ar parece mais leve e até o coração, devagar, encontra razão para recomeçar. É quando flores ensinam sem palavras que tudo o que morre em aparência pode renascer em beleza. E a esperança, qual brisa mansa, passa por dentro de cada manhã.

No fundo, a fé, em sua essência, é a arte de cuidar uns dos outros. Em especial, cuidar das crianças. Garantir que aprendam, que brinquem, que sejam ouvidas, que cheguem longe.

Que os festejos de outubro renovem em cada família a coragem de amar, a humildade de respeitar e a vontade de construir um Brasil mais fraterno.

E assim, entre águas, cantos, passos e orações, seguimos celebrando. Não apenas feriados, mas um gesto antigo e vivo: o gesto de proteger e celebrar a vida.

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