Manaus, 25 de fevereiro de 2024

Dia dos Pais

Compartilhe nas redes:

O milagre da procriação humana exige a participação masculina, indispensavelmente, para que se gere a vida no ventre materno. A Ciência, com todos os avanços que já incorporou à vida moderna, como a fertilização “in vitro”, por exemplo, ainda não criou nada que substitua essa necessária contribuição, o que faz certo que para ser gerado o homem precisa de ter um pai, mesmo que por simples doação, o que, evidente e indiscutivelmente, não afeta a beleza extrema do que se dá no ventre materno durante a gestação, relação íntima que nenhuma ciência é capaz de explicar.

Pois bem, no próximo domingo,14 de agosto, vamos comemorar o Dia dos Pais, assim como há o das Mães no segundo domingo de maio. Bom para a atividade comercial, com incremento de vendas que só fica distante do que acontece nas festas de final de ano. Importante essa criação, para festejar os que, verdadeiramente, são responsáveis pelo início da vida, mas cá com meus botões e sem medo de ser repetitivo, penso que todo dia é dia do pai, pelo menos daqueles que, constituindo maioria, imagino, cumprem com rigor e prazer os deveres que se lhes impõe, o que não significa que esteja a dizer-me contrário a que se lhe resguarde um dia especial de homenagem.

Durante muito tempo, o papel principal reservado ao pai, pela condição que lhe atribuía o próprio Código Civil de 1916, que o denominava “cabeça do casal”, era o de prover materialmente as condições de sustento da família, o que o colocava sempre em desvantagem quanto ao tempo disponível para estar ao lado dos filhos, para acompanhar, em conjunto com a mãe, o crescimento e a educação. O mundo contemporâneo alterou, felizmente, essa fonte de geração do machismo, ensinando a divisão de tarefas e permitindo, ou exigindo até participação mais efetiva do pai no dia-a-dia, desde o trocar de fraldas, a preparação da mamada, o banho, o levar à escola, ao médico, ao dentista, e todas as outras coisas mais que eram cruelmente reservadas à mulher mãe.

É claro que não estou a falar de todos, porque muitos há que continuam cumprindo, quando assim fazem, o papel de provedores exclusivos, seja por força da situação econômica do casal, seja, enfim, porque se julgam obrigados a reproduzir o que assistiram em seus processos domésticos de formação, o que não lhes retira, a meu ver, a responsabilidade do equívoco que não me concedo o direito de julgar.

Muitas vezes, muitas mesmo, o descumprimento da obrigação paterna – que para mim, desde quando ministrava aulas de Direito do Menor na Faculdade de Direito mais antiga do Brasil que cheguei a dirigir, nunca foi pátrio poder, mas pátrio dever – faz-se questão essencial, até mesmo para a manutenção primária dos filhos, o que conduz à busca da tutela jurisdicional por via da Ação de Alimentos, não sendo poucos os que se escondem, física ou funcionalmente, até para nem mesmo ser chamados a Juízo para cumprirem o primário ônus de contribuir financeiramente para a sobrevivência. Mas a lei é sábia e permite ao Juiz determinar o imediato cumprimento da obrigação, por meio de alimentos provisionais, com desconto mensal em folha de pagamento independentemente do comparecimento do pai ao processo. Afinal, trata-se de encargo que subsistirá à maioridade do filho, desde que para garantir seus estudos em nível universitário. Negar-se a tanto não lhes retira, ao que penso, a condição de pais, ainda que imerecidamente e que seus filhos não se dediquem a festejar o próximo domingo.

O que estou a dizer, então, é que a participação biológica a que me reportei ao início tem natureza meramente reprodutiva, circunstancial por vezes, porque a paternidade verdadeira exige muito mais que a simples, embora indispensável, contribuição para a formação do embrião. Ouso proclamar, então, que não basta procriar, porque indispensável criar, que significa, fundamentalmente, educar.

Há os que, não havendo contribuído para a geração, transformam-se em pais por escolha ditada pelo amor e, ao adotarem, entregam sentimento às vezes até superior aos que procriaram. Fazem-se pais verdadeiros e se dão ao dever e ao prazer de contribuir para a formação dos que adotam. Há, igualmente, os que assumem a condição de pai em razão de nova família que constituem, passando a ter como filhos do coração os enteados que chegam com a nova companheira. E não são poucos os que dedicam amor igual ao que demonstram ter pelos filhos naturais. É o que também se dá com parceiros do mesmo gênero, que buscam na adoção o complemento do sentimento que os une para a composição familiar. Não há esquecer as mães que, por força de circunstâncias várias, exercem, por substituição, a paternidade, muitas vezes até de forma bem mais efetiva e proveitosa que os substituídos.

Tudo isso faz certo, então, que a importância não está adstrita ao momento da procriação, desaparecendo em muitos casos ao longo da vida. O que importa, de fato, é o sentimento, o amor com que alguém se dedica à bela tarefa de ser pai, com exemplos, com presença, com palavras, com gestos de carinho e de atenção, com disposição para ouvir, para compreender, para aceitar, para admitir que a verdade não lhe é privilégio e que os filhos devem ser preparados para a vida, o que significa dar a eles segurança e confiança em si mesmos, bem melhor se fundados em bons valores que lhes forem transmitidos como formação de caráter. É, numa palavra, prepará-los para voos e deixá-los voar.

Meu amigo, se você tem a regalia de ser pai, em decorrência da fecundação ou por força de escolha ditada pelo sentimento mais belo que povoa o íntimo humano, abrace seus filhos enquanto puder, receba-os com carinho e afeto mesmo que eles o tenham deixado em uma dessas casas de convivência para idosos – ou outro qualquer título que se lhes dê – e aproveite para olhar em seus olhos enquanto lhe favorece a visão, sem deixar de orar pelas vitórias todas que lhes deseja. Faça do dia que lhe é reservado um tempo de alegria e olhe aos céus agradecido pela vida que lhe permite abraçá-los.

Se não os tem mais por aqui, porque você a eles sobrevive, agradeça a Deus por lhes haver entregue como dádivas e peça ao Pai que os acolha junto com suas bençãos carregadas de saudade.

Meu jovem de qualquer idade, se seu pai já não habita mais o plano terrestre, como o meu, porque chamado para vidas novas, eleve ao Senhor, em contrição, uma prece de agradecimento por lhe haver dado a oportunidade de tê-lo por qualquer tempo de sua existência, talvez como riqueza maior.

Se você ainda tem a benção de poder ver seu pai neste mundo, não se limite, se puder, a enviar-lhe, no próximo domingo, uma cesta de café da manhã ou uma simples mensagem, telefônica ou por qualquer outra via tecnológica destes tempos de modernidade. Abrace-o, que afinal essa poderá ser a última carícia de um segundo domingo de agosto. Beije seus cabelos, grisalhos ou não, ou sua cabeça se não os houver, e não evite dizer que o ama, porque o amor não tem idade nem tempo para ser sentido, menos ainda para ser demonstrado e proclamado. Se aceita um conselho, SEJA FILHO.

FELIZ DIA DOS PAIS!

Compartilhe nas redes:

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

COLUNISTAS

COLABORADORES

Abrahim Baze

Alírio Marques