
*Eder de Castro Gama
Excelentíssimo Senhor Presidente da Academia Amazonense de Letras e Magnifico Reitor da FUnATI/Amazonas – Professor Doutor Euler Ribeiro. Ilustre amigo e confrade Presidente da Academia Itacoatiarense de Letras, poeta e escritor Salomão Barros. Demais ilustres membros da Mesa. Senhoras e senhores presentes à esta solenidade. E Ilustre amigo e confrade, historiador Francisco Gomes da Silva.
Um Momento de Alta Significação para a História e Cultura de Itacoatiara
É com grande satisfação e apreço que nos reunimos neste Centro Cultural Velha Serpa para celebrar um marco na historiografia amazônica: o lançamento de mais uma obra do estimado historiador, confrade, e incansável pesquisador, Francisco Gomes da Silva.
Neste instante, em que ele generosamente nos presenteia com o 19º livro de sua autoria – “Cronologia da Avenida Parque (1870-2025) & Administradores Municipais” -, é nosso dever não apenas agradecer e louvar o seu gesto carinhoso, mas também aplaudir o seu inabalável amor e devoção à Itacoatiara. Rogamos que a inspiração e a proteção continuem a iluminar sua jornada.
Francisco Gomes da Silva: Talento, Erudição e Humildade
Nosso querido Chico Gomes, como carinhosamente o denominamos, é um exemplo notável de talento e erudição. Detentor de um elevado preparo intelectual, ele combina sua alta consideração pelos conterrâneos com uma surpreendente lição de humildade e simplicidade.
Apesar de ser um intelectual amplamente reconhecido, Gomes, Promotor de Justiça de Segunda Entrância aposentado, é sócio efetivo de instituições de prestígio, incluindo:
- Instituto Geográfico e Histórico do Amazonas;
- Academia Amazonense de Letras;
- União Brasileira de Escritores, seção do Amazonas;
- Associação dos Escritores do Amazonas;
- Associação Amazonense do Ministério Público.
- É também membro fundador do Instituto Histórico e Geográfico do Tapajós, em Santarém, e sócio colaborador do Colégio Brasileiro de Genealogia, no Rio de Janeiro.
Conhecido nas rodas sociais e culturais do Amazonas e de outras partes do País, o historiador demonstra sua profunda conexão com a terra natal ao preferir lançar suas obras de forma discreta, fugindo da intensa “paparicação” e da divulgação abrangente que os meios de comunicação de Manaus – como televisão, rádio, jornais e internet – poderiam proporcionar. Sua escolha de estar aqui, neste momento, entre amigos e amigas itacoatiarenses para entregar o livro sobre a Avenida Parque, é mais um poderoso gesto de puro amor devotado à sua cidade natal.
Uma Trajetória de Dedicação à Memória Amazônica
No próximo dia 24 de novembro, Francisco Gomes completará 80 anos de idade. Ao longo destas oito décadas, ele se revelou um homem talentoso, cordial, carismático e, acima de tudo, generoso com a História.
Sua paixão pela pesquisa histórica de Itacoatiara começou precocemente, aos 16 anos, e culminou no lançamento de seu primeiro livro aos 19 anos. Em 5 de setembro do corrente ano, ele celebrou 60 anos de atividade literária, sempre elevando o nome de nossa terra para além das fronteiras nacionais, como por exemplo, encontra-se suas obras na Biblioteca de Washington, DC nos Estados Unidos da América.
Francisco Gomes da Silva nasceu na casa nº 585, da Avenida 15 de Novembro, à entrada do bairro da Colônia, próximo à Praça da Caixa D’Água. O oitavo filho de uma família de classe média baixa, formada pelo casal Pedro Gomes da Silva & Olívia Maria de Arruda Gomes – um herói e uma heroína amazônicos que trouxeram ao mundo 12 filhos (7 mulheres e 5 homens) – e o nosso escritor e historiador é o 8º deles.
Francisco Gomes fez o Curso Primário nas escolas das professoras Diquinha Moreira, Cleide Rattes e Zezé Athaide, complementado com o 5º ano realizado no Grupo Escolar Coronel Cruz, e o Ginasial na Escola Comercial de Itacoatiara – atual Escola Deputado Vital de Mendonça.
A adolescência de Francisco Gomes e de seus contemporâneos, foi de extrema dificuldade. A falta de acesso a serviços básicos que afetavam os jovens no Brasil, no período do pós-guerra iniciado em 1945, demonstrava-se muito mais fortes em Itacoatiara e em todo o interior do Amazonas – região muito distante dos centros de decisão nacionais.
Mas o então rapazola queria vencer, e foi à luta. Entre os 13 e 17 anos de idade, fez pequenos carretos no Mercado Municipal; foi vendedor de doces e salgados feitos pelas senhoras Vivita Serudo e Luzia Veras; auxiliar de carpinteiro; carreteiro no Mercado Público; carregador de castanha na Usina de I. B. Sabbá & Cia.; jornaleiro; entregador de mercadorias na empresa Irmãos Olímpio; conferente de cargas e descargas no Porto de Itacoatiara e auxiliar de escritório na firma Ilídio Ramos & Irmãos.
Concluiu o ginásio em 1964, aos 18 anos, sendo o orador de sua turma denominada “Pelo Bem do Brasil”. No final do ano, transferiu-se para Manaus. Essa passagem da vida de Francisco Gomes é narrada com emoção em seu livro “Pedro Gomes meu Pai”, prefaciada pelo poeta Elson Farias.
Quando de sua transferência para Manaus, em sua bagagem Francisco Gomes levava um esboço de livro sobre História deste município, com o título provisório de “Fragrantes de Itacoatiara”, sendo uma parte datilografada e outra manuscrita. Referido trabalho foi editado pelo governo do estado do Amazonas, com o título de “Itacoatiara. Roteiro de uma cidade”, prefaciado pelo historiador e então governador do Amazonas, Arthur Cézar Ferreira Reis, e lançado por ocasião da inauguração da Rodovia Manaus-Itacoatiara, no dia 5 de setembro de 1965.
Quando chegou em Manaus, no início de 1965, Gomes matriculou-se no Curso de Professores do Instituto de Educação do Amazonas, concluído em dezembro de 1967. Naquele ano, empregou-se como balconista da empresa comercial J. G. Araújo & Cia. – e em seguida, após aprovado em um concurso público de provas, ingressou na Fundação SESP – onde, entre 1965 e 1970, exerceu o cargo de Escriturário.
No final de 1967, prestou vestibular para os Cursos de Direito e de Pedagogia, simultaneamente, nas faculdades de Direito e de Filosofia, Ciências e Letras do Amazonas, e em ambos foi vitorioso. Em 1968 assistiu aulas nos dois estabelecimentos – mas, assoberbado com o estudo e com o trabalho, teve que ‘trancar’ a matricula de Pedagogia e deu prosseguimento ao Curso de Direito, na parte noturna. Concluiu o bacharelado nessa área em 1972 e, a seguir, cumpridos os requisitos legais pertinentes, foi inscrito no quadro de advogados da OAB, Secção do Amazonas.
Nosso historiador possui uma brilhante folha de serviços prestados ao Município de Itacoatiara e ao estado do Amazonas, conforme resumo a seguir:
- – 1965-1966: repórter policial do jornal A Crítica e colunista literário no Jornal do Comércio, ambos de Manaus;
- -1965-1970: servidor concursado do Ministério da Saúde/Fundação Serviço Especial de Saúde Pública: Diretoria Regional do Amazonas;
- – 1970-1976: assessor administrativo e jurídico da Santa Casa de Misericórdia de Manaus;
- -1974-1975: assessor sindical e jurídico da CONTAG – Confederação Nacional dos Trabalhadores na Agricultura – Delegacia do Amazonas;
- 1975-1976: fundador e assessor da FETAGRI/Am – Federação dos Trabalhadores na Agricultura do Estado do Amazonas;
- 1974-1976: fundador e secretário executivo da Associação dos Hospitais do Estado do Amazonas;
- 1975-1976: membro do Grupo Tarefa da Comissão Justiça e Paz da CNBB Norte I – Confederação Nacional dos Bispos do Brasil;
- 1977: assessor jurídico e fundiário da SEPROR – Secretaria de Estado da Produção Rural no Amazonas;
- 1977: assessor parlamentar na Assembleia Legislativa do Estado do Amazonas;
- 1977: Executor do Projeto Fundiário Manaus – órgão zonal do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária – INCRA/AM-RR;
- 1978: Advogado da Divisão Fundiária do INCRA/AM-RR, órgão do Ministério da Reforma e do Desenvolvimento Agrário;
- 1978-1983: Promotor de Justiça de Primeira Entrância do Ministério Público do Estado do Amazonas, admitido por concurso de provas e títulos: titular da Promotoria de Justiça da Comarca de Itapiranga e, por substituição, em exercício nas comarcas de Silves, Borba, Maués e Itacoatiara;
- 1979: Presidente honorário da Comissão Especial pró-titulação de terras no Município de Itapiranga;
- 1981-1984: Consultor Jurídico da COMAITAL – Cooperativa Mista Agropecuária de Itacoatiara;
- 1983/1984: Disposicionado ao gabinete do governador do Estado do Amazonas;
- 1983-1986: Promotor de Justiça de Segunda Entrância, promovido por antiguidade: titular da 8ª Promotoria de Justiça da Capital, com exercício respectivamente na 4ª Curadoria, na Curadoria de Família e Sucessões e na 3ª Vara Criminal – todas sediadas em Manaus;
- 1988-1989: Disposicionado ao gabinete do governador do Estado do Amazonas;
- 1989-1992: Consultor Jurídico da Prefeitura Municipal de Itacoatiara;
- 1997-1999: Assessor Jurídico e coordenador do Núcleo de Questões Fundiárias cumulativamente com o da Coordenadoria de Questões Judiciais da Procuradoria-Geral da SUFRAMA, órgão do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior;
- 1999-2005: chefe de gabinete na Assembleia Legislativa do Estado do Amazonas;
- 2002-2009: Diretor-tesoureiro da Associação de Amigos da Cultura, órgão assessor da Secretaria de Estado da Cultura do Governo do Estado do Amazonas.
Francisco Gomes participou de inúmeros seminários, encontros e cursos de extensão e/ou aprimoramento intelectual e profissional, tanto em Manaus (vários anos), como em Brasília/DF (vários anos), São Paulo (1972 e 1973), Caxias do Sul/RS (1975), Recife/PE (1975), Rio de Janeiro (1975 e 1976), Cuiabá/MT (1977), Boa Vista/RR (1977), Macapá/AP (1998) e outros centros.
No campo da pesquisa histórica, incursionou em Belém, São Paulo, Rio de Janeiro, Petrópolis/RJ e em Lisboa – onde colheu importantes subsídios para escrever seus livros sobre Historiografia e Sociologia de Itacoatiara. Ocupado em estudar e divulgar a trajetória histórica, política e social de Itacoatiara, Francisco Gomes tem se pautado pela intransigente defesa da cultura municipal. Uma clara, fortíssima vocação telúrica o motiva e o conduz a estar sempre e permanentemente a serviço da comunidade onde nasceu e à qual serve de forma permanente, brava e apaixonadamente.
O Legado Além da Escrita
Além de 19 livros editados, há 13 anos, Francisco Gomes mantém em circulação o Portal “Itacoatiara história e cantigas”, um interessante veiculador da Cultura Amazônica. Igualmente reconhecido por proferir entrevistas e palestras em sua cidade, na capital amazonense e fora do Estado, Francisco Gomes também é citado e bibliografado em obras de dezenas de autores, regionais e nacionais.
Dentre muitas homenagens recebidas, nosso amigo recebeu: em 7 de dezembro de 2004 a Comenda “Ordem do Mérito Legislativo”, na categoria Mérito Especial, da Assembleia Legislativa do Amazonas; em 3 de outubro de 2013, a Placa de “Festejo e Aplauso Cultural”, da mesma instituição; em 15 de dezembro de 2014, a Medalha do “Mérito Cultural Dr. João Valério de Oliveira”, da Câmara Municipal de Itacoatiara. Em 25 de março de 2019, o Diploma do “Mérito Jubileu de Ouro”, do Instituto Geográfico e Histórico do Amazonas, no qual ingressou em 25 de março de 1969.
Em 29 de maio de 2021, o pesquisador e documentarista Thyrso Munhoz, editou e apresentou o documentário “Francisco Gomes da Silva – Traços Históricos e Biográficos”, no auditório do Colégio Jamel Amed, sob o patrocínio do Instituto Geográfico e Histórico de Itacoatiara; homenagem que foi repetida recentemente na Biblioteca do Centro Espírita Maria Dolores.
Francisco Gomes, sob orientação da Academia Amazonense de Letras, reuniu seus amigos escritores, pesquisadores e artistas, e presidiu à fundação da Academia Itacoatiarense de Letras. No mesmo passo, e sob orientação do Instituto Geográfico e Histórico do Amazonas, reuniu um grupo de estudiosos locais e ajudou a fundar o Instituto Geográfico e Histórico de Itacoatiara. Sempre contamos com o seu apoio permanente.
Sem dúvida, é o maior escritor de Itacoatiara, em todos os tempos. Além de principal pesquisador, escritor, divulgador e apoiador de seus amigos nos setores da arte, da literatura e da Cultura em geral, ele é inegavelmente um eficiente colaborador e protetor desta cidade, é importante deixar registrado, que como Secretário Municipal de Cultura, no início de 2021, me sua fala na Câmara Municipal de Itacoatiara, diante da demanda da classe artística e cultural disse que estaria do lado dos artistas pois entendia suas demandas, como não conseguiu fazer uma revolução no campo da Arte e Cultura como Secretário preferiu renunciar a pasta da Cultura. Francisco Gomes completará, no próximo dia 24 de novembro, 80 anos de idade, e promete comemorar com seus amigos de Itacoatiara.
O Novo Livro: “Cronologia da Avenida Parque”
Neste momento, nosso amigo premia Itacoatiara e seu povo ao entregar a edição da monumental obra “Cronologia da Avenida Parque (1870-2025) & Administradores Municipais”. São 164 páginas de literatura de qualidade e memorização da história de nossa principal via pública, que se configura como um patrimônio cultural imaterial do Município e do Estado do Amazonas.
Celebramos a vida e a obra de Francisco Gomes, um historiador cuja paixão por sua terra se traduz em um legado inestimável para a memória e a identidade cultural amazônica.
*O autor é natural de Itacoatiara, vem trabalhando com a temática sobre patrimônio cultural a mais de duas décadas. É formado em Ciências Sociais (UFAM) e Mestre em Sociedade e Cultura na Amazônia (PGSCA/UFAM) especialista em Festas Populares e Religiosas da Amazônia. Formado em Direito (ULBRA/Manaus), MBA em Gestão, Licenciamento e Auditoria Ambiental (Anhanguera-Uniderp). É professor Universitário. Publicações em coautoria nos livros “Cultura popular, patrimônio imaterial e cidades” (2007) e “Culturas populares em meio urbano” (2012). Autor dos livros “A Senhora, o Folclore e o Festival” (2022) e “Descobrindo o Patrimônio Cultural de Itacoatiara (2024)”. É Assessor Jurídico e sobre o patrimônio imaterial etno-história da Amazônia para empresas de licenciamento ambiental e arqueológico.
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