Manaus, 25 de fevereiro de 2024

Falta de abastecimento

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Alguns dos meus sete leitores comentaram os verbetes da não concretizada “Enciclopédia do subdesenvolvimento”; sugerindo que publicássemos mais sobre o assunto. Ponderei que, falar sobre a insistência em certas sociedades de se abandonarem a própria miséria era algo fastidioso, mas para contentar aqueles que são fiéis a estas mal traçadas linhas, vão algumas palavras sobre os sintomas mais explícitos desta condição em que a nossa cidade, o nosso Estado e nosso País perecem encalhados pela eternidade.

ABASTECIMENTO: A questão do abastecimento das megalópoles é resolvida com a perfeita interação da estrutura comercial e logística. Embora o Brasil tenha optado pelo mais dispendioso modal de transporte, que é o aéreo, em detrimento da navegação de cabotagem e as ferrovias, as capitais estaduais são razoavelmente bem abastecidas.

Exceto àquelas que estão isoladas da rede nacional pelo traçado do rio Amazonas. Estas desditosas capitais, como Manaus e Boa Vista, dependem das barcaças carregadas de containers que navegam sem nenhuma regulamentação ou sinalização, transformando as águas do rio Amazonas num corredor fluvial de alto risco e altíssimos custos de frete. Some-se a esta situação desconhecida em qualquer rio do continente africano, onde o controle nacional é quase nulo, a burocracia que praticamente cria barreiras dispendiosas e extremamente demoradas para o desembaraço das mercadorias.

Enquanto um porto mexicano ou chinês libera as mercadorias em torno de três horas, aqui na Amazônia a coisa se arrasta por meses, mesmo quando se trata de carga perecível ou medicamentos.

Não é de surpreender que a cidade de Manaus, e por consequência, Boa Vista, vivam num intermitente desabastecimento. Não faz muito tempo faltava Aspirina nas Farmácias de Manaus. E vou logo avisando aos incautos e ingênuos: se entrarem numa farmácia e não encontrarem o remédio que necessitam, não percam tempo em tentar em outra, pois aqui o comércio é solidário no desabastecimento.

Faltou em algum lugar, faltou em todos. E pensar que nos tempos do vapor a cidade era bem mais abastecida, sem depender de depósitos no Ceará ou entreposto em Santa Catarina. Considero esta situação das mais irritantes, sobretudo quando se trata de medicamentos. E não vejo solução, pois aparentemente a tendência é o oligopólio. Uma só empresa representando toda a indústria. E quando não pagam o que devem até mesmo Aspirina some das prateleiras. O mesmo pode ser dito para suprimentos de informática. Cartuchos de impressoras, por exemplo, é outro desespero. O que me obriga a aproveitar minhas viagens à São Paulo e sempre dar uma passada na Rua Santa Efigênia onde desabastecimento não existe.

Isto é Subdesenvolvimento.

BIBLIOTECAS PÚBLICAS: O Estado do Amazonas apresenta o pior índice de bibliotecas públicas.

Para um estado que vem pondo em prática uma das mais interessantes e diversifica das políticas culturais do País é uma contradição comprometedora.

Muitos municípios não contam com bibliotecas públicas, embora o incentivo à leitura seja uma das políticas do Ministério da Cultura que funcionam, onde as bibliotecas são peças chaves. Mas esta constrangedora situação se repete de forma aguda na capital. Os administradores públicos que construíram o Teatro Amazonas não se esqueceram de dar à capital uma Biblioteca Pública. Mas as administrações posteriores nada mais fizeram, e a metrópoles de dois milhões e trezentos mil habitantes estão mergulhando na ignorância por falta de bibliotecas, base das políticas educacionais e culturais. Precisaríamos ter mais 50 bibliotecas públicas distribuídas pelos bairros. Isto é Subdesenvolvimento.

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