Manaus, 25 de fevereiro de 2024

Histórias esquecidas

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O cometa de Haley

Reapareceu com todo fulgor, no ano de 1910. Minha avó paterna Liberalina Accioly de Menezes, nascida em um seringal do Javari, descreveu-me como sendo uma grande estrela do tamanho de um prato de sobremesa, com uma enorme cauda brilhante. Neste tempo ela morava à Rua Leovigildo Coelho e o astro apresentava-se todos os dias, nascendo na direção do Hospital da Beneficiente Portuguesa, com a sua grandeza espantando a todos, e desaparecendo pela madrugada, como a Lua

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O cometa de Haley – 1910

Ela estava namorando com o meu avô José Augusto Marques de Loureiro, português nascido na Aguieira, mas de família dos Pardieiros, Carregal do Sal, ambas as localidades do distrito de Viseu, na Beira Alta, de onde se descortina a paisagem da serra da Estrela, coberta de neve, no inverno.

A família não apoiava o namoro, pois ele era um imigrante desconhecido, aqui chegado sem eira, nem beira, com os irmãos mais velhos, em tenra idade.

O fato é que, como lembrança de estarem noivos, no ano do cometa, deram a um de seus filhos, o terceiro, o sobrenome do astrônomo inglês Edmond Halley, que estabeleceu a sua periodicidade de 75/76anos, às vezes alterada pela gravidade dos grandes planetas Júpiter e Saturno.

A primeira visita deste cometa foi registrada, em 240 AC, Os astrônomos consideram que ele foi capturado por Júpiter há 200.000 anos, quando tinha 19 quilômetros de diâmetro. Já perdeu bastante massa e hoje tem apenas 11 quilômetros, sendo responsável pelas chuvas de meteoritos de todos os anos, nos finais de abril e outubro. Seria a estrela do ano 1, citada pelo Talmude.

Naquele ano de 1911 todos estavam apavorados, pois o nosso planeta passaria por dentro da cauda do cometa talvez contendo um gás letal: o cianogênio. Todos esperavam a morte, na noite de 18 para 19 de maio, quando ele ficaria mais próximo, porém nada aconteceu, e a humanidade respirou aliviada.

Durante 75 anos a nossa família esperou a volta do Halley, em 1986. Os americanos e russos colocaram espaçonaves para observá-lo. Mas para nós, a olho nu, foi um fiasco. Passou muito longe e vimos apenas uma estrela como tantas outras do Universo.

Agora ele só voltará em 2061. Fica a minha Esperança de que seja visto por meus netos e bisnetos.

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