*Osvaldo Silva
Confesso que, durante muito tempo, acreditei que a revolução tecnológica brasileira aconteceria apenas no eixo Rio-São Paulo. Estava errado. Manaus está provando que inovação não tem CEP, e os números recentes me fizeram repensar completamente essa visão. O Polo Industrial de Manaus deixou de ser apenas uma zona de montagem para se transformar em um verdadeiro laboratório de transformação digital.
O que mais me impressiona é a velocidade dessa mudança. Dados do IBGE mostram que, em apenas dois anos, o percentual de indústrias brasileiras usando Inteligência Artificial saltou de 16,9% para 41,9%. Isso não é evolução — é revolução. E quando olhamos especificamente para o Amazonas, a surpresa é ainda maior: segundo a consultoria Macroplan, o estado concentra 3,8% dos empregos digitais do país, superando São Paulo e o Distrito Federal. Quem poderia imaginar?

Uma questão de visão estratégica
Acredito que o modelo da Zona Franca criou, mesmo que involuntariamente, o ambiente perfeito para essa transformação. A concentração de indústrias de tecnologia gerou um ecossistema natural de inovação. As fábricas que antes apenas montavam produtos importados agora desenvolvem soluções próprias. A Suframa confirma: muitas plantas industriais já operam no padrão da Indústria 4.0, com IA integrada aos processos produtivos.
E não estamos falando de casos isolados. A Pesquisa Pintec de 2024 revelou que 92,4% das grandes empresas industriais brasileiras já possuem algum grau de digitalização na produção. É um cenário que parecia distante há uma década e que agora é realidade concreta.
O desafio que pode virar oportunidade
Claro que nem tudo são flores. Uma pesquisa conjunta da FIEAM, CEAM e ABRH aponta que o Polo precisará de até 11.170 novos profissionais qualificados nos próximos três anos. Esse número poderia ser visto como um problema, mas prefiro enxergá-lo como uma oportunidade extraordinária. Quantos jovens amazonenses poderão construir carreiras sólidas nessa nova economia? Quantas famílias serão impactadas positivamente?
O que me preocupa, sinceramente, é a capacidade de formar essa mão de obra no ritmo necessário. Investir em educação tecnológica precisa ser prioridade absoluta. Não adianta ter as fábricas mais modernas do mundo se não tivermos pessoas preparadas para operá-las.

O futuro com sotaque amazonense
Olhando para frente, sou otimista. A combinação de infraestrutura industrial consolidada, incentivos fiscais e um ecossistema de startups em crescimento cria condições únicas. Manaus pode se tornar referência nacional em IA aplicada à indústria, exportando não apenas produtos, mas conhecimento e soluções tecnológicas.
O potencial da Amazônia sempre foi imenso, mas historicamente associado apenas aos recursos naturais. Agora, surge uma nova narrativa: a de uma região que também produz inovação, tecnologia e inteligência. É uma mudança de paradigma que merece atenção e, principalmente, apoio. O futuro da Inteligência Artificial no Brasil pode muito bem ter sotaque amazonense – e isso, para mim, é motivo de orgulho e esperança.
Referências:
1. IBGE. Pesquisa de Inovação Tecnológica (Pintec Semestral), 2024.
2. Macroplan. Estudo sobre empregos digitais no Brasil, 2024.
3. FIEAM/CEAM/ABRH. Demandas de Profissionais para o Polo Industrial de Manaus, 2024.
4. Suframa. Acompanhamento da Indústria 4.0 no Polo Industrial de Manaus, 2025.
*Osvaldo Silva atua como Designer UI/UX e Analista de Sistemas há mais de 15 anos. Sua expertise abrange Design, Comunicação e Multimídia, bem como o Desenvolvimento de Software de Alto Desempenho.
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