Continuação…
O poeta de Anori
A linguagem poética nem sempre se manifesta no cotidiano da nossa convivência. Mais corrente é a linguagem destinada a emitir conceitos, formular juízos, noticiar fatos. Mas a linguagem poética às vezes toma conta da comunicação do dia a dia, para manifestar a emoção ante a surpresa de um por de sol sobre o rio, ou a alegria do convívio com as pessoas de que se gosta. Nada melhor do que a linguagem poética para fixar com a palavra escrita o momento de beleza experimentado pelos altos sentimentos, provocados pelo reconhecimento da fraternidade humana ou da contemplação espiritual da fé.
Este livro de Ivany Régis possui a virtude da boa linguagem poética. Não se encontra nele nada de lógico. De repente podemos até recusar aceitá-lo como forma de manifestação da sensibilidade, mas o que não se pode é deixar de reconhecer o bom nível da sua expressão literária.
Os poemas são na maioria curtos e lançados em verso livre. Eu diria que possuem a forma dos epigramas, nem tanto pelo conteúdo em regra irônico, humorístico, ou mordaz, mas pelas dimensões de cada um. Tal como o poema Asas de Ícaro que vai a seguir:
O silêncio aprisiona as palavras
No fundo de minhas lembranças
Voam os espíritos, trazendo consigo o amor.
Dos lábios da saudade emana doçura
Nas cinzas da alma encontra-se dor.
É mais uma voz nova da poesia que desponta nos horizontes das nossas letras.
Continua na próxima edição…
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