Manaus, 25 de fevereiro de 2024

Os povos indígenas

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A maioria dos povos indígenas do Brasil vive na Amazônia. Falando cerca de 155 línguas diferentes, a população indígena do Brasil pode ser agrupada em quatro categorias distintas, considerando o nível e grau de contato com a sociedade nacional abrangente.

  1. Grupos Isolados – são aqueles povos que conseguiram escapar do contato com a sociedade envolvente, habitantes de regiões de acesso difícil. São pouco numerosos, vivem plenamente o seu modo de produção, mas representam o elo mais frágil, já que um contato mínimo pode leva-los ao extermínio.
  2. Grupos em contato intermitente – são aqueles que estabeleceram uma certa distância das frentes de penetração, mantém contatos esparsos, não comerciam ou dependem da sociedade envolvente e continuam a proceder segundo o modo de produção tribal.
  3. Grupos em contato permanente – neste grupo estão representados a grande maioria dos povos indígenas do Brasil. São os grupos que ao longo da história estabeleceram diversas relações com a sociedade envolvente.

Estas relações colidiram com o curso autônomo desses povos, romperam o equilíbrio do modo de produção tribal e criaram vigorosos laços de subordinação e dependência em relação à sociedade abrangente. Os povos em contato permanente vivem em constante conflito. Conflito de sua cultura original com a cultura da sociedade de classes. Conflito de seu modo de produção sem propriedade privada com o modo de produção capitalista. Conflito por verem o desabamento de seu mundo em troca de sua entrada na escala mais baixa da sociedade envolvente.

  1. Integrados – é uma categoria discutível, mas representa aqueles povos que tiveram o seu modo de produção inteiramente quebrado e hoje vendem a sua força de trabalho como qualquer camponês ou operário. O fator étnico torna o problema da integração mais dilacerante, pois esses povos vão rapidamente desaparecendo, não por estarem assimilados à sociedade envolvente, mas porque desapareceram literalmente enquanto nação, enquanto cultura e até enquanto criaturas humanas. Na verdade não existe integração possível, o que há é extermínio, genocídio, assassinado em massa.

Mesmo passado décadas desde a democratização do Brasil, a situação das etnias é de permanente luta para garantir a posse de seus territórios tradicionais, que estão sendo invadidos com a expansão da frente econômica para o Sul da Amazônia.

Principais vítimas dos grileiros, pecuaristas e projetos agroindustriais, sem esquecer dos gigantescos projetos hidrelétricas, os povos indígenas e seus aliados consideram que a luta pela terra é a luta fundamental para garantir sua própria sobrevivência.

Enumerar caso por caso das agressões aos territórios indígenas seria impossível nos limites deste trabalho. De qualquer modo, é preciso destacar alguns dos casos mais rumorosos e escandalosos, enumerando os inimigos dos povos indígenas. Assim, vamos descobrir que os inimigos dos povos indígenas são os mesmos inimigos dos trabalhadores. Esses inimigos são o próprio governo brasileiro, em suas instâncias municipais, estaduais e federais, o grande capital financeiro, o latifúndio, as grandes empresas madeireiras, as grandes fazendas agropecuárias, as hidrelétricas, as empresas de mineração e as estradas.

Doze anos de governo do Partido dos Trabalhadores, que em sua fundação inscreveu em seu programa a defesa das minorias indígenas, mostra o quanto este partido traiu seus mais importantes objetivos políticos, inclusive fazendo ministra uma latifundiária que preferia que esses povos não existissem mais.

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