Manaus, 2 de março de 2026

Sim ou não

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Os falantes de Português, tanto no Brasil, como em Portugal e nos países lusófonos da África, usam muito pouco a palavra sim. Exemplos: Gostas de futebol? Gosto. Falas Inglês? Falo. O professor explicou a lição? Explicou. As respostas foram dadas sem o uso do sim. É uma característica da nossa língua portuguesa. No Inglês, temos yes/no questions. Perguntas sim/não. Do you speak English? Yes, I do. No, I don’t. Necessariamente temos que usar o sim. Yes!

Mas caro leitor, parece-me que o Português, pelo menos aqui no Brasil, está perdendo essa característica tão nossa. Um jovem estudante falante do Inglês, provavelmente responderia com um murcho sim todas as perguntas acima. Pergunto às minhas netinhas se foram á escola. Nenhuma me responde “fui vovô”. Sempre dizem simplesmente: sim! O Inglês tem influenciado muito o português contemporâneo. E como podemos ver, não só no léxico, mas até na estrutura da língua.

Minha mãe tinha no quarto um relógio que dava as horas em inglês. A “maid” achava que era assombração. O meu celular despertador, toda manhã insiste: “Good morning!”, e eu penso: se ele falasse português, talvez ele entendesse que eu ainda estou com sono e muita preguiça.

Placas bilíngues pululam por todo canto nas terras tupiniquins. Nas lanchonetes e padarias sucos de fruta escritos, de modo bem apelativo: “banana, apple, orange” e eu só quero um brasileiríssimo café coado e pão com queijo coalho.

Nas escolas, hoje muitas já bilingues, o recreio ganha o vocabulário de filme legendado de escola americana: “homework”, “quiz”, “team”. As crianças praticam a pronúncia como quem faz passinho de dança de internet.

Em casa, a TV sussurra em inglês entre novelas, e a família troca figurinhas linguísticas: “Let’s go”, “awesome”, “cool”.

No trabalho, e-mails terminam com “Best regards”. O português se curva. Mas para muitos puristas não se rende. Jamais.

No silêncio da tarde, alguém lê um relatório onde “deadline” é agressivamente comum e muito repetida. Salpicada no texto vernacular como se fosse tempero. No fim das contas, percebe-se que a influência é inevitável. O jeito é aceitar.

Ouvi de uma professora de português que a língua às vezes é um parque de diversões. Um carrossel de expressões e curiosidades. Sim, há coisas curiosas. Pergunto á jovenzinha se concorda. Ela me

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