Manaus, 17 de janeiro de 2026

Traje Atípico

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Tia Idalina, como sempre, adora bater um papo via whats app. Eu muitas vezes ligo para titia para saber as novidades. Ela sempre tem uma opinião sobre fatos, podcasts, notícias de jornal impresso, programas de TV e outras mídias.

Idalina assiste a concursos de miss. Disse-lhe que achava esses concursos um tanto démodé. O charme dos anos sessenta e setenta não existe mais. As moças de hoje ficam todas muito parecidas, com idade indefinida. Antigamente as misses eram garotas solteiras, com no máximo 24 anos. Hoje há mulheres casadas e algumas quase balzaquianas, sem querer ser incorreto ou misógino.

Ela concordou comigo. Mas assiste para ver até onde vai a falta de bom senso e a ousadia da produção. E o nível de despreparo e cafonice de algumas candidatas. Então o assunto foi o Concurso de Miss Universo 2025. De acordo com Idalina este é o mais prestigiado e possivelmente o mais antigo.

Foi no certame de 1954 que a baiana Martha Rocha ficou em segundo lugar por ter duas polegadas a mais. Como se sabe, nos Estados Unidos não se usa metro e centímetros. Ora, uma polegada equivale a 2,54 centímetros. Então Martha Rocha perdeu por pouco mais que cinco centímetros. Titia me disse que foi na cintura. O traje típico de Martha Rocha foi evidentemente de baiana. Fez sucesso.

O Amazonas não esquece a sua eterna miss Terezinha Morango, também ficou em segundo lugar. O traje típico de Terezinha também foi de baiana. Hoje seria de cunhã Poranga. Mas naquele longínquo ano de 1957, o traje típico oficial das brasileiras era de baiana graças a famosa Carmen Miranda.

Sobre o assunto traje típico, Idalina me disse que nesse ano a brasileira se superou na questão de falta de censo, desrespeito, cafonice e quiçá um ato de heresia. Como assim heresia, perguntei. E ela indignada, estupefata e até certo ponto nervosa, disparou:

– Aquela pequena nossa representante teve a audácia de se fantasiar de Nossa Senhora Aparecida. Quando vi aquilo quase tive um troço. Traje totalmente inapropriado. A moça errou feio. Em outros tempos poderia ser excomungada. Eu já vi de tudo nessa vida. Mas esse tipo de heresia é a primeira vez. Não se brinca nem se desrespeita Nossa Senhora. Vestir-se de Nossa Senhora Aparecida para desfilar no Miss Universo foi algo inadmissível. Perguntei-lhe onde havia sido o concurso. Ela me disse que foi em Bangkok na Tailândia. Quem venceu foi a mexicana. Ora, a brasileira poderia ter ido de baiana! Aquilo não é traje típico. É traje atípico.

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