Manaus, 25 de fevereiro de 2024

Um convite honroso

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Meu “curriculum vitae” revela que escrevi e publiquei mais de 200 artigos científicos incluindo a descrição de dois gêneros e 22 novas espécies de organismos da nossa floresta, ter escrito mais de 800 artigos para jornais, alguns livros dos quais destaco dois, um intitulado Amazonidades e outro Pensando a Amazônia. Adicionalmente fui diretor do Inpa a mais importante instituição de pesquisa cientifica da região norte e essa história de vida foi a razão de um honroso convite para fazer a Conferência de Encerramento de um Simpósio Internacional sobre Mudanças Climáticas e Recursos Genéticos que será realizado de 16-18 de agosto em Florianópolis, sob o guarda-chuva da Universidade Federal de Santa Catarina. Na minha participação vou insistir na tese de que crescimento econômico e desenvolvimento são processos distintos e expor minhas reflexões sobre a realidade amazônica, seu passado histórico-ambiental, sua submissão a um presente pouco alvissareiro tentando mostrar que existe uma utopia possível da construção de um modelo de desenvolvimento regional sustentável, assentado nos recursos genéticos da região.

A AMAZÔNIA NO MUNDO MODERNO

Farei um resumo da origem da região e da chegada do Homo sapiens, destacando sua capacidade de adaptação aos sistemas naturais (Ecologia) que hoje são estudados pelas Ciências Ambientais buscando construir uma Economia assentada, basicamente, no uso dos recursos renováveis. Já faz algum tempo que estou refletindo sobre a oykos que no antigo grego significava a casa, a família ou uma unidade social básica na estrutura da sociedade helênica entre 1.200 e 1.800 anos antes de Cristo. E quanto mais penso e leio, mais me parece lógico pensar em uma sociedade amazônica (amazonoykos?) alicerçada na preservação de um meio ambiente (habitat habitado) favorável à qualidade de vida do Homem e seus organismos associados, colocando a Amazônia como um modelo para um mundo moderno.

O CAMINHO

Para caminhar nesse sentido é essencial resgatar o conhecimento tradicional que possibilitou a construção de uma harmônica relação homem-natureza que é a coluna mais sólida para alicerçar a construção de uma salutar relação sociedade-meio ambiente que formate uma economia assentada nas diversidades física, natural, biológica, étnica, social e cultural.

PROJETO DE ESTADO

Esse nova postura precisa de um Projeto de Estado solidamente assentado na ciência e na tecnologia, escrito em linguagem que estabeleça, com precisão, as definições e conceitos existentes no artigo 225 (Capítulo VI) da Constituição Brasileira de 1988 que é a bíblia do meio ambiente e a segurança jurídica do desenvolvimento.

Entendo que a falta, a multiplicidade e a distorção de conceitos e definições dos termos constitucionais dificultam, e até prejudicam, o entendimento das questões que chamo de magnos conflitos tanto por sua magnitude como por serem expressões inseridas na Carta Magna.

Assentadas as bases linguísticas o passo seguinte é definir o tipo de desenvolvimento que se pretende, escolhendo os que têm adjetivações consagradas – ecodesenvolvimento e desenvolvimento sustentável – ou optando por um desenvolvimento substantivo.

Para o Amazonas, a biotecnologia de ponta é a opção mais adequada, pois transforma o capital natural em desenvolvimento, sem esquecer o componente humano, para não reeditar aqui uma Idade Média de alta tecnologia. Saúde, alimentação, plantas aromáticas, limpeza, higiene, fruticultura, artesanato, pecuária, criação de animais, madeiras, turismo, extrativismo, piscicultura, mineração e garimpo, são trilhas que devem estar fortemente entrelaçadas com as ciências humanas relicário do conhecimento tradicional sobre a natureza.

Com esse pensamento espero atender as expectativas dos organizadores do Evento, entre os quais está a Professora Doutora Cristiane Derani, com quem tive a ventura de conviver quando fui professor do Programa de Mestrado em Direito Ambiental da UEA. Minha única dúvida é se devo ou não perguntar dos organizadores do Simpósio Internacional, a razão de não terem convidado os “sábios” que dirigem o Estado e o Município.

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