
*Francisco de Abreu Cavalcante
(Do 6º Livro com título provisório “Fragmentos e Homenagens”)
I
Assim como a saudade fraterna
Nos aproxima pelo pensamento,
O amor nos revela bênçãos
Que Deus concede a todo momento.
II
Saudade é própria de quem ama,
Pensando apenas pelo coração,
Mas temos uma mente lúcida
Que não nos deixa sofrer em vão.
III
À medida que os ricos se elevam,
Distantes da pobreza fraternal,
A decadência cresce na penúria,
Gerando miséria e flagelo social.
IV
Homens orgulhosos em desatino
Não são mais que rosas em botão;
Nascem perfumadas, logo caem e,
Decadentes, ficam de calças na mão.
V
Assim como a natureza das rosas
Orvalha e perfuma o ambiente,
A essência humana prenuncia amor,
Com desvelo de alma reluzente.
VI
A pobreza humana é alarmante
Neste mundo de riqueza desigual,
Roguemos a Deus de todos nós:
Pai, ajudai a pobreza universal!
VII
Assim como somos seres humanos,
No mundo, irmãos de Jesus,
Pedimos a Deus: paz, fim das guerras,
E forças para carregar nossa cruz.
VIII
A vivência fraternal entre amigos
Revela a vida com clara razão;
Em amizades ungidas de amor fraterno
Convive-se como verdadeiros irmãos.
IX
A fé nos conduz pelo caminho
Que nos leva à salvação;
Jesus, nosso guia eterno,
Concede paz e consolação.
X
Se o sangue para o animal é vida,
A seiva constitui vida ao vegetal,
E, se tudo sobre a terra tem vida,
Demos a tudo, um amor fraternal.
*Poeta amazonense de 92 anos, Francisco de Abreu Cavalcante destaca-se pela sensibilidade, romantismo, crítica social e espiritualidade. É autor de Miséria e Utopia, Rabiscos de Amor, Maravilhas da Vida e Luzes Poéticas. Foi homenageado em Manaus com exposição e a Medalha Pena de Ouro da Academia de Literatura, Arte e Cultura da Amazônia (ALACA).
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