Parafraseando Olavo Bilac, ama com fé e orgulho a terra em que nasceste. É preciso amar o Brasil. Lutar pela nossa soberania e nossa democracia. Isto não nos impede de, neste 4 de julho, desejar aos Estados Unidos paz e prosperidade. Pelos 250 anos de independência e por sediar a Copa do Mundo.
Nesta manhã de julho, com copa do mundo aqui e lá. As bandeiras de cada país tremulam por razões diversas. Nós, brasileiros, como quem respira fundo antes de cantar nosso hino. Não só do próprio peito, mas também uma vontade aguerrida de ganhar a copa. Eles, os americanos, comemoram sua data cívica, junto dos que vêm de longe para torcer e festejar o esporte que a todos une. Esporte que sempre será caminho de amizade e paz.
Assim, é preciso lembrar de Olavo Bilac. Poeta que tratava a pátria brasileira com o cuidado de quem cuida de uma flor rara. Não é exagero dizer que amar a terra em que se nasceu é um ato de fé. É questão de reconhecer o valor do solo que nos acolhe. O sorriso dos vizinhos, as histórias que se cruzaram nas esquinas. E a responsabilidade de cuidar do que é seu. Da sua cultura e valores. De seu território. Para que cada nação permaneça livre e democrática.
Enquanto o mundo gira, entre copas, tratados internacionais e acordos multilaterais, o Brasil sabe que a soberania não se mede apenas em números de produção ou em bravatas diplomáticas. Os brasileiros têm a capacidade de observar o próprio orgulho sem fechar as portas para o outro. Porque o verdadeiro respeito pela democracia não se celebra apenas em proclamações, tratados, acordos. Olimpíadas ou copas. Se pratica no gesto cotidiano de ouvir, de dialogar, de buscar caminhos que favoreçam o bem comum. Mesmo quando há divergências.
Neste 4 de julho espera-se que os cidadãos americanos possam olhar o mapa do mundo com a curiosidade de quem sabe que a prosperidade não é dádiva reservada a poucos. Mas fruto de cooperação entre nações. Não podemos esquecer que intercâmbios comerciais, esportivos e culturais são como pontes erguidas com trabalho e paciência de pessoas e governos. Cada fluxo de gente, cada ideia trocada, cada arte ou esporte que atravessa fronteiras, é uma semente plantada no terreno da convivência. Sem ingerências indevidas, claro, mas com a convicção de que a diversidade é riqueza quando é tratada com elegância e responsabilidade.
E assim também se constroem vínculos com a China, a Rússia, a Índia, a Europa e tantos outros cantos do mundo. Não para apagar as singularidades, mas para aprender com elas. Que o desejo de aprender uns com os outros seja maior que qualquer mal-entendido. Que possamos manter o intercâmbio como um diálogo aberto. Onde cada país se reconheça na sua própria cadência e, ainda assim, encontre razões para caminhar lado a lado.
Que os Estados Unidos continuem, como exemplo de democracia e civilidade. Buscando unir firmeza de princípios com compaixão pelo próximo. E que, ao comemorarmos a história que nos une, não nos esqueçamos de que o maior hino não é de vitória isolada, mas de cooperação. Que se possa seguir juntos. Com fé na terra que nos abriga e com orgulho de saber que a amizade entre nações é, muitas vezes, o remédio mais eficaz para as dores do mundo. Que a convivência seja leve, o respeito mútuo, a curiosidade permanente, e a esperança de que, ao olharmos para o mapa, possamos enxergar não apenas linhas que definem territórios, mas caminhos que aproximam corações.
E que, nestes dias de celebração e copa, reste a certeza de que a paz é um projeto comum. Que começa no quintal de cada um e se expande até o horizonte inteiro.
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