Manaus, 25 de fevereiro de 2024

Falar da morte

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Conviver com pessoas no final da vida nos leva a aprender que a morte próxima nos levanta o véu da mentira sobre a vida.

Falar na morte só é essencial para uma vida plena e verdadeira, segundo a professora doutora Ana Cláudia Quintana Arantes, médica geriatra do Hospital Albert Einstein, de São Paulo.

Na verdade a morte tem me ensinado muito a viver a vida! Para isso podemos contar com os cuidados paliativos que, conforme a Organização Mundial de Saúde (OMS), constituem na “assistência promovida por uma equipe multidisciplinar, que objetiva a melhoria da qualidade de vida do paciente e seus familiares, diante de uma doença que ameace a vida, por meio da prevenção e alívio do sofrimento, da identificação precoce, avaliação impecável e tratamento de dor e demais sintomas físicos, sociais, psicológicos e espirituais”.

Afirmo que o controle do sofrimento não se aprende nas universidades, onde o maior foco está na cura das doenças, acabando-se por desprezar um aspecto muito importante que acompanha estas doenças: o sofrimento. Infelizmente nem todos se importam com a dor do corpo e da alma daqueles que sofrem; inclusive de seus entes queridos.

No trato com pacientes terminais aprendi que muito provavelmente você não consiga acabar com o sofrimento, mas só pelo fato do seu interesse em particular por aquela vida, procurando saber o que sente na verdade, quais são suas prioridades naquele estado, o que gosta e o que não gosta, já eleva em muito o sentimento do paciente por pessoas que tomam de alguma forma interesse verdadeiro por ele, isto certamente minimiza o sentimento de fragilidade e das incertezas diante do que vai acontecer no amanhã.

É este medo do desconhecido, que nada mais é o não saber o que pode acontecer de real após a finitude, leva o paciente à introspecção, ao isolamento, à ansiedade por tentar descobrir uma nova forma de viver o que lhes resta de vida.

Aprendi também que a morte é mais sagrada do que a própria vida, o ter nascido, pois é inexorável, afinal a única certeza da vida é a própria morte!

Então não tenhamos medo da morte, pois tratar deste assunto nos faz refletir como realmente estamos desfrutando de nossa existência. Conviver com pessoas no final da vida nos leva a aprender que a morte próxima nos levanta o véu da mentira sobre a vida. Deixa-se de lado tudo que é ilusório, as bobagens em torno do viver, tais como o poder, a riqueza, as diferenças entre as classes sociais, o preconceito com a cor e a opção sexual das pessoas com as quais você convive. Se esta condição pode levar cada um de nós a reconhecer nossos próprios erros, este não deixa ser um aspecto positivo.

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