Manaus, 25 de maio de 2026

Rivaliza

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*Ivany Jamys Ferreira Régis

Lancha de ferro, movida a vapor com propulsão de hélice, estava sob o comando do sr. Antonio Felicio de Freitas, de regresso a Manaus, de sua viagem a Badajoz, quando naufragou em outubro de 1929 no paranã do Anamã, próximo ao “Repartimento”, após colidir com um tronco de madeira submerso, que lhe furou o porão meia nau, as águas inundaram rapidamente o porão, fazendo a embarcação adernar para boreste. Improfícuos foram todos os esforços empregados pelo comandante e pelo pessoal de bordo no sentido de salvar a lancha que, em pouco tempo, soçobrou, passando-se todos os que nela se achavam para a alvarenga “Peoriny”, que vinha a reboque da mesma. Parte da coruja foi salva. Passou depois pelo local a lancha “Marie”, que trouxe, para Manaus, a alvarenga “Peoriny” com os salvados e náufragos, entre os quais se contavam os seguintes passageiros: Kurt Luiz, Von Yess, José A. Branco, José Joaquim de Souza, Izaias Vidal da Silva, Brigida Maria de Souza, Manoel da Silva e Francisco Paes.

A “Rivaliza” era uma embarcação de duas toldas, registrava cinquenta toneladas e possuía vinte homens de tripulação. Tendo vindo da Inglaterra há muitos anos, completamente desmontada, foi armada em Manaus nas oficinas Guide, que depois se tornou Amazonas Engineering. O seu primeiro proprietário foi o coronel Manoel Vicente Carioca que a empregou em viagens ao rio Juruá. Adquirida pela firma Fernandes Guimarães & Cia, passou a viajar para Badajoz, extinta esta firma passou a pertencer a firma J. Mendes & Cia e por fim passou a pertencer a firma Von Yess & Cia que a empregava em viagens a Badajoz. Apesar de Antiga, a “Rivaliza” estava bem conservada, achando-se segurada na companhia Alliança da Bahia.

A “Rivaliza” assim como outras lanchas a vapor, abastecia com mercadorias os barracões e regatões de Anamã e arredores, na ida levava mantimentos, remédios, vestuário e combustível, além de outros materiais que eram necessários para manutenção e sobrevivência nos seringais. No regresso a Manaus, traziam as produções da indústria extrativista animal e vegetal: látex defumado, banhas, cera de abelha, couros silvestres, mixira, pato salgado, pirarucu seco, andiroba, castanha, óleo de copaíba e outras coisas. Nas grandes estiagens amazônicas os destroços dessa embarcação ficam totalmente visíveis.

Texto extraído da obra Conciso esboço historiográfico de Anamã / I. J. F. Régis – Gramado -RS: Porto de Lenha, 2024. pp. 71 – 72.

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Registro dos destroços da lancha a vapor “Rivaliza”, expostos durante a estiagem de 2024 na localidade do Repartimento, Anamã-AM.

*Ivany Jamys Ferreira Régis. Poeta e ensaista. Natural de Anori/Am. Licenciado em Filosofia. Bacharel em Direito. Pós-Graduado em docência Superior e Direito Constitucional. Membro da UBE, da ASSEAM.

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