Quando eu era um curumim de calças curtas só havia um edifício aqui em Manaus, o IAPETEC. Pertenceu a um dos vários institutos de aposentados e pensionistas que foram extintos, dando origem ao atual INSS. Fica na esquina da 7 de setembro com a Governador Vitório.
O primeiro arranha-céu da cidade foi orgulho de muitos que desejaram ver nossa cidade “cheia de IAPETCS”. Como no Rio de Janeiro, São Paulo e Porto Alegre.
Como se o progresso, a beleza e a riqueza arquitetônica de uma cidade fosse medida pela quantidade de prédios altos. Ledo engano. Brasília é linda sem arranha-céu em suas asas. Paris, uma das mais belas cidades do mundo, não tem arranha-céu no seu centro. A cidade cresceu em forma de espiral, com múltiplos pontos centrais. Paris é dividida em vinte arrondissements, que podemos traduzir como distritos, divididos em cartiers, que seriam bairros. O arrondissement 1 começa perto do Louvre e por lá não existem prédios altos.
O nosso já não mais tão famoso IAPETEC foi construído no local onde havia o cine teatro Éden. Uma das várias jóias da Belle Époque destruídas na vontade desvairada de encher a cidade de “IAPETECS”.
Para alegria de muitos, a Manaus de nossos dias cresceu. Hoje está cheia de “IAPETECS” na Vila Municipal, Vieiralves e Morada do Sol.
Quando a cidade acordou e resolveu preservar os prédios da “Paris dos Trópicos”, vários “IAPETECS” monstrengos já nos agrediam e descaracterizavam a beleza arquitetônica com origem no auge do Ciclo da Borracha. Maltratando deveras a nossa cidade. O que mais me incomoda é o que substituiu o Palacete Miranda Correa, na Praça do Congresso. Foi erguido um monstruoso “IAPETEC”. O preço pago pela cidade foi a triste demolição de um tesouro arquitetônico construído pela tradicional família Miranda Correa. Demolição imperdoável. Perto dali há uma modernosa Agência dos Correios, onde um dia foi o Palácio da Secretaria de Saúde. Outro insuportável acinte. Há vários outros.
Uma senhora jogou um fogão velho no igarapé. Questionada pelo fiscal da Prefeitura, confessou o ato abominável, dizendo:
– Tudo que é velho e não presta a água leva.
As águas de nossas chuvas jamais levaram nossos prédios antigos. Que eram belos e prestavam. Os homens, não as águas, foram os que os levaram pela destruição. Como dizem os franceses. Quel dommage! Ou seja, que pena!
HAICAI DA SEMANA
Chove. Muita chuva.
Chuva para. Chega o sol
Sol e chuva. Viúva.
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