A moça do tempo do Jornal Nacional fala de rios voadores. Epa! Pelo que sei nossos rios na Amazónia não voam.
A repórter do tempo explica que os rios voadores têm origem no Oceano Atlântico. Voam pela Amazônia e descem para o Sudeste. Pelo que eu entendi, os tais rios voadores vão desaguar lá pelo Sudeste. Quer parecer que alagações frequentes no Rio de Janeiro, Minas Gerais e Espírito Santo acontecem nesta época do ano devido aos rios voadores. Pouco entendo de Meteorologia, mas se eu estiver errado, por favor me corrijam.
Graças a Deus nossos rios aqui na Amazônia não voam. E os tais rios voadores passam aqui voando bem alto.
Se a moça do tempo afirma que os rios voadores existem. Deve ser verdade mesmo. Nossos rios, com certeza, não voam. E eu concordo. São muito caudalosos. Já pensou o Amazonas, o Negro, o Madeira, o Juruá e o Purus voando? Seria o fim do mundo. Ainda bem. Eles apenas namoram com o céu, com o sol e com a lua. Mas nunca voaram.
O amor do Rio Negro com o pôr do sol já deu casamento. Como o luar no Madeira e o céu do Juruá.
Eu olho para o rio Negro, que banha Manaus. Será que ele está comprando passagem para uma viagem ao Sudeste? Mas ele não voa. Na verdade, está apenas tomando tacacá com a Praia da Ponta Negra.
A moça do tempo jura que os rios voadores nasceram lá no Oceano Atlântico e que, de vez em quando, se enfiam pela Amazônia como turistas mal-educados. Mas aqui na Amazônia, os rios são mais reservados. Eles não voam; eles flertam. Voam só nos livros de Geografia. Nesses livros o Rio Amazonas é um dragão alado que guarda segredos de peixe-boi, boto, cobra grande, piranhas e pirarucus.
E quando a chuva cai, como sinfonia de tambores, os rios parecem pedir “calma, pessoal”. “A pororoca é só lá embaixo no Pará.”
A cheia vai ser a de sempre. Com fartura. E nas vazantes temos belas praias. As cidades têm até maré de rios e de alegria.
Enquanto isso, a moça da TV insiste nos rumores sobre rios voadores.
Os curumins ribeirinhos brincam de explorar. Não, não é exploração de floresta. É pura imaginação. Brincam com as areias das praias e preenchem garrafas com água de rio. E fingem que estão apanhando o próprio céu em potes. “É o rio que voa?”, perguntam curiosos. Um curumim observa o céu e diz que um rio está passando acima das copas das árvores.
Um grupo de pescadores aponta para pontos onde o céu parece espelhar o rio que não voa. E pensa que se ele não voa, pelo menos nos traz alegria com a chuva que cai sem pressa.
E a moça do tempo voltou a falar nos rios voadores!
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