Manaus, 4 de junho de 2026

As palmeiras da praça de Rosário e outros poemas da vida

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*Manoel Domingos

Continuação

Parte 1 As palmeiras da praça de Rosário e outros poemas da vida

VAGUIDADE

Meu olhar como todas as serpentes
Procurava-té desfolhando brilhos…
Destoava riso nos vãos latentes,

Não achou teus passos, nem teus trilhos.
Vagava nos vértices dos desejos
Por causa do delírio e da canção.
À toa… A toa… Tudo na vontade,
Gastou-se vaga minha inspiração.

Saí, portanto, do Coronel Cruz.
Quis a árvore sombreira,
Mas, nem tu… Nem a palmeira.
Agosto/1996

ÁDRIA

À minha filha

Assim fluiste em nossas certezas,
Desde aquela noite de agosto,
Rimando um pequenino sorriso,
Início, então, de um quarteto posto.
Alguém que viver é preciso…

Muito mais que sangue e vida,
Acionaste sentidos nativos,
Nativas releituras de um ser
Uma criança, um senso para viver.
Enfim cresces e traduzes alegrias
Levadas pelas tuas amizades
Luz e simplicidade com amiguinhos,
Adria, te desejo muito amor e carinho!

BRUNO, O MENINO DA RUA TRÊS

Neste poema que me sua,
Vou fazer uma escala,
Dos amiguinhos da rua
Que lembram de Bruno Cruz
Sua amizade e sua fala.

Bruno tinha os seus momentos,
Com Gabriel, Aécio, lan, Marquinho,
Mailon, Bruno, César, tio Evandro,
Histórias, “pirus” e peladas,
Que em quase toda tarde,
Ele sempre comandava.

Seus primeiros poeminhas,
em Escritos no papel de embrulho,
Se era amor, romance ou sina,
Foram certamente interessantes
E eram para alguma menina.

Quem corrigia era o Tio Correia,
Percebia-se naquela cabeça,
Que Bruno, um menino lírico,
Tinha a poesia na veia.

A rua três ficou em silêncio,
O destino levou o menino
Que na imagem nos acena, e nos acena…
Não houve pelada na rua,
Já não haverá mais um poema,
Não há mais uma canção sua.

Um menino de palavras certas,
Com seus ideais, estudos e sonhos,
Regava as amizades nas músicas,
Robusto, educado e atleta.
Esse poema é para você, Bruno,
Nosso amiguinho poeta.

SERPA MANIQUEIZADA

Todo quatriênio brinca de cidade…

Dia-a-dia, esvai-se a civilidade,
Bem e mal se cruzam no teu emblema.
Emblemas que se dispersam na tarde,
Noite que afronta os sentidos do canto…
Manhã de esperas… Dia de Serpa em pranto.

Que te fizeram, cidade de Serpa?
Tantas farsas, tantos olhares maus…
Maus e males se completam aqui,
Pois se antevê incertezas e caos.

Serpa… Alegórica de mãos beijadas…
É calo do tempo, é calo da história,
Campo minado por vozes caladas,
Com filhos perdidos na tua aparência,
Resiste! Na invertida e na carência…

Caos perene, pretérito ou nascente,
Pois isso é fato em dor vivente e em pranto
Que deste modo aqui, em ti descrevo,
Mas falo, canto, grito, ou desafeto…
Velha Serpa de sonhos e segredos,
Luto por ti porque assim me completo.

SERPA MANIQUEIZADA

Todo quatriênio brinca de cidade…

Dia-a-dia, esvai-se a civilidade,
Bem e mal se cruzam no teu emblema.

Emblemas que se dispersam na tarde,
Noite que afronta os sentidos do canto…
Manhã de esperas… Dia de Serpa em pranto.

Que te fizeram, cidade de Serpa?
Tantas farsas, tantos olhares maus…
Maus e males se completam aqui,
Pois se antevê incertezas e caos.

Serpa… Alegórica de mãos beijadas…
É calo do tempo, é calo da história,
Campo minado por vozes caladas,
Com filhos perdidos na tua aparência,
Resiste! Na invertida e na carência…

Caos perene, pretérito ou nascente,
Pois isso é fato em dor vivente e em pranto
Que deste modo aqui, em ti descrevo,
Mas falo, canto, grito, ou desafeto…
Velha Serpa de sonhos e segredos,
Luto por ti porque assim me completo.

Continua na próxima edição…

*Natural de Itacoatiara/Am. Poeta, professor e escritor. Membro da Associação dos Escritores do Amazonas, da Academia de Letras e Cultura da Amazônia, da Associação Brasileira de Escritores e Poetas Pan-amazônicos e do Movimento Internacional da Lusofonia. Professor efetivo da UEA. Mestre e doutorando em Letras pela UTAD (Portugal). Fundador da Sociedade dos Poetas Porunguitás.

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