Manaus, 12 de outubro de 2026

Eleição no Amazonas e a Ira do Satanás

Ilustração: mosaico com Manaus, floresta, urna eletrônica e uma figura demoníaca sobre área desmatada em chamas
Ilustração: imagem gerada por inteligência artificial

Compartilhe nas redes:

O Brasil ainda não tem um projeto de desenvolvimento consistente e integrado para a Amazônia — e os Ministérios da Fazenda, do Planejamento e da Indústria e do Comércio precisam compreender que o futuro do país depende mais da Amazônia do que da Avenida Faria Lima.

O Brasil ainda não tem um projeto de desenvolvimento consistente e integrado para a Amazônia. O governo Lula, lentamente, está recompondo os programas de proteção ambiental e as políticas públicas federais na região, destruídos totalmente na gestão presidencial anterior. É necessário construir uma política de desenvolvimento social e econômico que possibilite a transição de suas matrizes industriais para a era da sustentabilidade.

Os Ministérios da Fazenda, do Planejamento e da Indústria e do Comércio do Brasil precisam compreender que o futuro do Brasil depende mais da Amazônia do que da Avenida Faria Lima. A sua próxima gestão presidencial reserva uma participação mais efetiva da Amazônia no projeto nacional.

Estados sem política de desenvolvimento

Os estados amazônicos também não têm políticas de desenvolvimento consistentes e os empresários, sem alternativa, continuam defendendo seus investimentos pessoais, participando de modelos obsoletos cujos fundamentos científicos e tecnológicos encontram-se defasados da modernidade. Em geral, as políticas públicas na região não funcionam plenamente e os seus arranjos produtivos não se encontram integrados a uma política econômica regional e nacional.

Os gestores públicos não conseguem mobilizar os seus ‘pares’ para um processo contínuo de discussão e organização de proposituras dirigidas à solução dos problemas estruturantes da região. Alguns acreditam que possam resolvê-los somente por meio de decretos, resoluções, editais e portarias. O fato é que há contínuo crescimento da miséria social e da destruição ecológica na região.

Há vários elementos estruturais e operacionais que projetam a reversão dessa tendência política, segundo o plano estratégico de desenvolvimento social e econômico de Omar Aziz, para sua gestão governamental, 2027-2030, caso o eleitor consagre sua vitória nessa eleição estadual.

O período das trevas

O último presidente do Brasil acelerou a destruição cultural e ecológica da Amazônia em proporções nunca registradas desde o advento da República brasileira. Assediou, também, a Zona Franca de Manaus e constrangeu seus trabalhadores e os empresários locais. Período de trevas, difícil e agravado pelos experimentos clínicos realizados pelo sistema de saúde federal no combate à pandemia da covid-19 junto à população amazonense.

Experimentos que contaram com o uso de medicação sem efeito comprovado e a falta de assistência médica e de oxigênio nos postos de saúde, resultando numa das maiores taxas mundiais de mortalidade por esse vírus maldito. Foram mais de 15 mil mortos por covid-19 no Estado do Amazonas. A maioria foi enterrada anonimamente e em covas coletivas nos cemitérios de Manaus, enrolada em mortalhas devido à falta de caixões. Quadro político que, à época, foi firmemente combatido pelos senadores Omar Aziz, com atuação exemplar na presidência da CPI da Covid-19, e Eduardo Braga, e outros políticos locais e nacionais.

Parecia um filme de terror online protagonizado por um grupo político fascista que também contava com a participação de um segmento das Forças Armadas que insistia em vampirizar o sangue e as esperanças do povo e da juventude amazonense. Um segmento militarizado que comandava os destinos da Zona Franca de Manaus e de outras instituições públicas do Amazonas por meio de clichês e do empreguismo desqualificado.

Segmento antidemocrático que também se somava às forças das trevas e do golpismo e que se aglomerava nos portões dos quartéis e em espaços estratégicos de instituições públicas e privadas, da imprensa e da mídia, clamando por ditadura e liberalismo absoluto. O fascismo, as psicopatias, as alienações, a rudeza intelectual, os assédios doentios ainda continuam guiando muitos representantes deste tipo de conduta doentia, vários deles ainda infiltrados em instituições amazonenses, camuflados pelo uso do óleo de peroba e de pele de cordeiro.

Quadro que, em âmbito nacional, em janeiro de 2023, se desdobrou em uma nova tentativa de golpe civil e militar comandada por fascistas em Brasília. Situação política planejada e orquestrada pelo ex-presidente da República do Brasil e por assessores imediatos, incluindo a tentativa de assassinato do presidente Lula, à época, recém-empossado no cargo.

Que tragédia!!! Golpe militar contra a democracia e a soberania brasileira e pela abertura ampla da Amazônia ao garimpo irresponsável, à destruição ecológica inconsequente, ao tráfico de drogas, aos milicianos da privatização absoluta e aos empresários gananciosos e do lucro infinito. Esse período da Terra plana também empoderou os negacionistas e os racistas que odeiam e eliminam, física e culturalmente, os povos indígenas amazônicos, em nome do progresso empreendedor, enfeitado por serpentina e purpurina.

Enfim, o retorno desse grupo político fascista ao comando presidencial brasileiro e aos cargos congêneres em âmbito estadual coloca em risco as conquistas democráticas consolidadas e o futuro próspero da juventude brasileira e amazonense.

A Zona Franca de Manaus sob risco

A ascensão desse mesmo grupo político ao poder nacional e local atingirá frontalmente o formato e a existência institucional da Zona Franca de Manaus, apesar de ela ser garantida pela Constituição brasileira e pela Reforma Tributária Brasileira relatada com sucesso, recentemente, pelo senador Eduardo Braga. Trata-se de mais uma tragédia política com danos duradouros ao nosso estado.

Dizem que o “diabo não manda recado”, mas esse mesmo grupo já declarou publicamente que comandará um movimento político no parlamento brasileiro para boicotar a Reforma Tributária e para não aprovar a proposta conhecida como a PEC do fim da escala 6×1, relatada por Omar Aziz. Esta proposta propõe reduzir a jornada máxima de trabalho de 44 para 40 horas semanais, prevendo dois dias de repouso remunerado sem redução salarial.

Enfim, precisamos navegar com muita prudência nesse mar revolto, infestado por seres rudes, despreparados e descompromissados com a democracia. Inimigos da Amazônia e também do Estado do Amazonas que se colocam numa condição de subserviência aos interesses exógenos e perniciosos à região, aos seus trabalhadores e aos seus povos. Entre seus sorrisos e afagos, identifica-se claramente um tipo de ‘Ira do Satanás’ contra a Amazônia e o Estado do Amazonas, que represento da seguinte forma.

Amazônia e a ira de Satanás

Amazônia, o fogo se alastra sobre suas florestas. Consome tudo ao seu alcance: animais, árvores, plantas e outras entidades vivas. As labaredas do ódio e da destruição, e as fumaças escurecem os céus. Viajam para outros mundos. Transportam nossas memórias e sonhos, pulverizados e sequestrados pelas nuvens, que se espalham em todas as direções. Mensageiras do colapso ecológico e das dores amazônicas.

O brilho do sol desapareceu, e chuvas torrenciais inundam os lugares. Amedrontadas, as pessoas e os animais buscam novos abrigos e modos de sobrevivência. Rezam e suplicam pelo controle dos desastres da natureza e das maldades humanas, plantadas e cultivadas em nome de um tipo de desenvolvimento econômico alienante, produtor de miséria e destruidor da natureza. Os mares e os rios transbordam sobre as cidades e os ambientes rurais, desorganizando as suas mobilidades e os espaços de convivência.

O caos social e econômico abraçou os lugares e o planeta; cenários gerados por forças e potências irradiadas por uma imponente personagem. Rosto moreno, emoldurado por uma barbicha, carrancudo e com cabelos despenteados, dotado de várias asas com olhos, chifres e pés de bode, enfeitados por um pentagrama e um grande tridente. Fonte de movimentos sincronizados, que geram ondas de calor, maldades e tristezas nos lugares e nos mundos. Sua ira parece não ter fim.

Mancomunado com seus súditos, atores do capitalismo predatório, promove guerras, pobreza, mudanças climáticas e injustiça ambiental, para transformar o planeta no lugar das trevas e da desordem, da decadência moral e do caos. Pai das matrizes das maldades, senhor das maledicências e da destruição ecológica, confrontado pelos mensageiros da paz, Miguel, Rafael e Gabriel; guardiões da sustentabilidade espiritualizada e da restauração da paz celestial e planetária.

Miguel, guerreiro dos Deuses; Rafael, protetor dos doentes e dos viajantes, e Gabriel, mensageiro das virtudes humanas e das revelações divinas. Envoltos num manto celestial, os três arcanjos expulsaram e aprisionaram o senhor das trevas no inferno de Dante Alighieri. Iniciou-se uma nova era ecológica para o planeta e a espécie humana. Ecologia entrelaçada aos processos de produção, construção e reprodução da vida plena e autêntica, guiada pela sustentabilidade espiritualizada, centrada nas representações materiais e simbólicas da Amazônia.

Mas o trabalho dos arcanjos continua, pois muitos súditos do senhor das trevas ainda se encontram em atividade. Narcisistas e egocêntricos, eles insistem na destruição da natureza e na construção da pobreza, das guerras e de um mundo sem transcendência e humanismo. Conspiram contra a democracia e as instituições públicas comprometidas com o bem comum. Pregam a privatização absoluta e o lucro infinito.

Muita atenção, caro leitor e cara leitora! Priorize a experiência política construída na defesa da democracia, dos mais fragilizados socialmente e proteja o Amazonas. Cuidado! Pois Satanás é encantadora…

Manaus, 6 de outubro de 2026

Views: 0

Compartilhe nas redes:

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *