Em 18 de setembro de 2026, nossa querida Universidade Federal do Amazonas (UFAM) outorgou o título de Doutor Honoris Causa ao professor e pesquisador amazônico Wolfgang Johannes Junk. Homenagem justa, merecida, que engrandece a UFAM, a Amazônia, o Brasil e a tribuna que abriga os grandes cientistas e pensadores da modernidade, onde ele já se encontra. Bem-vindo à UFAM, Professor Junk. Sentimo-nos honrados por tê-lo como nosso amigo e membro ilustre, efetivo e eterno de nossa universidade amazônica centenária. Com sua família, sinta-se abraçado por todos nós, e que o querido amigo continue compartilhando sua sabedoria com nossa juventude e com as instituições regionais, nacionais e internacionais.
Wolfgang Johannes Junk, carinhosamente conhecido como Junk, é um cientista com sólida formação e experiência acadêmica. Na década de 60, realizou seu trabalho de campo para integralizar o seu curso de doutorado, sob a supervisão do Prof. Dr. Harald Sioli, no Instituto de Pesquisas da Amazônia (INPA). A partir dos anos setenta, foi definitivamente incorporado aos programas de formação acadêmica e de pesquisa dessa instituição. Detentor de doutorado em Zoologia, Botânica, Química, Oceanografia e Limnologia pela Universidade de Kiel – Christian-Albrechts-Universität (1970), Junk também possui profundo conhecimento de matemática, física, economia, ciências humanas e geociências; enfim, um cientista que aborda e interpreta a natureza de forma multifacetada e transdisciplinar, integrada e sistêmica. Efetivado no corpo de pesquisadores e professores do INPA, desde a década de 70, tem coordenado inúmeros programas de pesquisa complexos sobre a Amazônia e liderado a implantação de importantes programas de pós-graduação no INPA. Do ponto de vista científico, é impossível compreender o funcionamento socioecológico da Amazônia numa perspectiva sistêmica e integrada. Sob sua coordenação e com os pesquisadores Maria Teresa Piedade, Jochen Schöngart e Florian Wittmann, ele demonstrou a importância da Amazônia para a humanidade e, simultaneamente, como protegê-la do capitalismo predatório e desenvolvê-la sustentavelmente. Junk continua insistindo em que é possível desenvolvê-la sem destruí-la, garantindo melhores condições de vida para suas populações tradicionais.
Junk é um cientista diferenciado. Pode-se dizer que sua obra científica, construída a partir da Amazônia, abarca simultaneamente três dimensões intelectuais raras: a qualidade e o alcance heurístico de suas publicações, em geral, transdisciplinares e multitemáticas. Estas características de seus trabalhos assentam-se em suas abordagens e metodologias inovadoras, inventadas com seus colaboradores para reinterpretarem a Amazônia e os trópicos úmidos alhures. As várzeas amazônicas e suas populações são temáticas muito presentes em suas pesquisas. A segunda dimensão diferenciada de seus trabalhos refere-se às práticas próprias de seus trabalhos de campo sobre a socioecologia da Amazônia; Junk não permaneceu prisioneiro dos experimentos de laboratório de pesquisa. Quando necessário, passava semanas, às vezes meses, junto às comunidades ou em lugares da Amazônia profunda, estudando e testando suas hipóteses e teorias sobre sua temática de estudo. Interessante que tenha sido ele, o cientista que melhor soube integrar o conhecimento científico com o conhecimento tradicional amazônico para o desvendamento de inúmeras questões ecológicas da região, a partir de perspectivas amazônicas. Mais do que isso, sua obra mostra como utilizar a ciência e a tecnologia para o desenvolvimento da Amazônia profunda, sempre na perspectiva de suas populações. A análise socioecológica de grandes áreas tropicais úmidas tem nos seus estudos a principal referência da modernidade. Finalmente, sua obra confirma que, sem as suas populações tradicionais e os seus povos indígenas, a Amazônia não existiria. Sempre mostrou um profundo respeito e gratidão pelas populações regionais. Junk sempre diz ser muito grato por tudo o que aprendeu e continua aprendendo com as populações da Amazônia: “Elas possibilitam o meu aperfeiçoamento físico e espiritual e, certamente, sem elas eu não teria avançado muito em minhas pesquisas.” Enfim, a obra de Junk e seus colaboradores é referência central para os estudos e as práticas sustentáveis na Amazônia. Uma bênção para todos que vivem na região.
Certamente, Junk, que também foi professor visitante da Universidade do Estado do Amazonas, tem papel importante no processo que legitima a Amazônia como uma entidade viva e dinâmica, imprescindível ao futuro da humanidade; uma unanimidade mundial e um centro de convergência do ‘casamento’ da ciência com o conhecimento tradicional, em prol de suas populações e do planeta. Junk construiu sua família em Manaus, onde vive há cerca de 50 anos, intermitentemente, devido aos seus inúmeros compromissos nacionais e internacionais. Durante muito tempo, Junk foi líder do Grupo Ecologia Tropical no Instituto Max Planck para Limnologia em Plön, na Alemanha, instituição vinculada à Sociedade Max Planck. Atualmente encontra-se associado à Universidade Federal de Mato Grosso como pesquisador visitante e como professor catedrático da Universidade de Hamburgo, na Alemanha.
Caro Dr. Wolfgang Johannes Junk, o Paladino da Amazônia, obrigado por tudo o que construíste sobre a Amazônia. Certamente, todos nós, professores, professoras e servidores da UFAM, nos sentimos engrandecidos com este honroso título que nossa instituição, hoje, 18 de setembro de 2026, por meio de nossa querida reitora, lhe outorga. Sinta-se abraçado por todos e pela Amazônia.
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