Manaus, 24 de março de 2026

Dias no Amazonas. Tempo de Dom João Charuto

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Na semana passada escrevi sobre a enorme variedade de palmeiras que temos por aqui. E ao falar de palmeiras mencionei Gonçalves Dias. Isso encantou uma jovem leitora que me passou o seguinte e-mail:

“Caro cronista. Li sua crónica Surucucu mira, que trata sobre a diversidade de palmeiras na Amazónia. Confesso que fiquei surpresa em saber que o poeta romântico Gonçalves Dias havia visitado o norte do Brasil. Pensei que fosse ficção. Mas é verdade. Fui pesquisar e descobri nos Anais da Biblioteca Nacional, vol. 84, 1964, p. 2, notícia de que Antônio Gonçalves Dias em 12 de outubro de 1857 fora designado, para a expedição, pelo IHGB, Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro, na presidência do Marquês de Sapucaí.

Naturalmente o Governo Imperial de Pedro II aprovou. Assim, Gonçalves Dias foi GONÇALVES convocado para Comissão Científica e Cultural exploradora no interior de algumas das Províncias menos conhecidas do Brasil. Incluindo, a região do Rio Negro, já então elevada à categoria de Província do Amazonas.

Há informação de que o poeta se encontrava na Alemanha e ficara feliz com a designação.”

Interessante é que o e-mail, de certa forma anônimo, pertence a “curiouslibrarian” e o provedor é americano.

De fato a “curiosa bibliotecária”, tem razão. O saudoso Márcio Souza, último ocupante da cadeira 25 da Academia Amazonense de Letras, a ser ocupada, com muita honra e alegria, por esse cronista no próximo mês de abril, já nos dizia em 1977, no livro Expressão Amazonense que a expedição financiada por Pedro II retrata a visão imperial de nossa região, naquela época. A Amazônia era um local a ser civilizado. Márcio Souza destaca o choque cultural de Gonçalves Dias diante da realidade amazónica. Evidenciando o abismo entre o Brasil do litoral e o Brasil do interior. E claro, da nossa vasta região amazônica.

Há notícias que a visita do poeta a Manaus, entre maio e junho de 1861, foi um período crucial e complicado do festejado poeta do Romantismo Brasileiro, em termos de produção literária.

Márcio Souza ressalta a importância dos diários de Gonçalves Dias. Na minha opinião devem merecer mais atenção e mais pesquisas por parte de historiadores e cientistas sociais em geral.

Fui conversar com tia Idalina sobre isso. Ela me disse que tudo são coisas do tempo de Dom João charuto.

Discordo titia. A visita do poeta é bem posterior. Os charutos Dom Joao vinham em caixas com a foto de Dom Joao VI. O que trouxe a família real para o Brasil em 1808. Era avô de Pedro II. Nascido em 1825, Pedro II teria feito 200 anos em dezembro do ano passado. Tia Idalina tem razão. Tratamos de coisas e pessoas do tempo de Dom João charuto. Que muito fez pelo Brasil quando reinou aqui. Mas ao retornar para Portugal queria nos fazer colónia novamente. Esse Dom João VI bem que merece ser chamado de Dom João charuto. Governou o Brasil antes de nossa Independência.!

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