Pauliceia Desvairada é o mais famoso livro de Mario de Andrade. Publicado em 1922 foi um marco na Semana de Arte Moderna. Pauliceia foi um nome de certa forma carinhoso e até poético dado pelo grande modernista brasileiro, á cidade de São Paulo.
Houve por aqui quem fosse nessa onda. Pesquisando edições antigas do Jornal do Comércio verifica-se que a primeira rádio de nossa Manaus chamou-se Voz da Bariceia. Posteriormente tornou-se a Rádio Baré, encapada pelo grupo de Diários e Emissoras Associadas. Grupo comandado pelo histórico e emblemático Assis Chateaubriand. Ressalta-se que o Jornal do Comércio fez parte dos associados.
Pergunta-se o porque que pauliceia pegou e bariceia náo?Sabe-se que havia dois povos na região do Rio Negro. Os Manaus e os Barés.
A nação dos Manaus destacou-se por sua extrema resistência à colonização e à escravidão imposta pelos portugueses no século XVIII. Ficou na nossa história a liderança do guerreiro Ajuricaba.
Já os barés não nos legaram nenhum herói. Possivelmente seja essa a razão da cidade chamar-se Manaus e não barelandia ou mesmo terra dos barés. São conjecturas minhas que deixo para os historiadores desvendarem.
Mas o fato é que os Barés sempre foram cantados em prosa e verso tanto quanto os Manaus. No Grupo Escolar Saldanha Marinho, sob a batuta da diretora Leonor Uchoa de Amorim, aluno da professora Francisca Silveira, aprendi a cantar o Hino a Manaus que começa assim: “Manaus, terra das florestas, terra das. castanhas e dos seringais. Manaus, terra dos barés, dos igarapés,. rios colossais. O Rio Negro majestoso …”
Quando Mario de Andrade escreveu Pauliceia Desvairada, há cem anos atrás, ele estava fascinado pelo desenvolvimento rápido da sua cidade. São Paulo deixava de ser rural e torna-se a grande metrópole que é hoje.
Manaus também passa por esse processo. A cidade deixou de ser a provinciana Manaus da minha infância para se tornar tão desvairada quanto São Paulo. Guardadas as devidas proporções e características.
Poderíamos perfeitamente ser chamados de Bariceia Desvairada. Mas o povo Manaus, provavelmente em razão do herói Ajuricaba, deu o nome definitivo a cidade. Os barés denominaram rádios, guaranás e biscoito.
Sem querer discutir se somos manauaras ou manauenses, alguns se consideram simplesmente barés. Morei muitos anos em Brasília. Estudei e casei-me por lá. Tenho filhos candangos. Considero-me um candango-baré.
Quanto a tribo dos Manaus não foi denominada de Manausceia desvairada. Sofreu outra agressão fonética e ortográfica. Manaus se escrevia Manáos. Houve uma reforma ortográfica. Páo, virou pau. Nunca foi paó Algum cara de paó, resolveu deslocar o acento para manaós. Essa tribo nunca existiu.
Já nossa cidade de Manaus, tanto quanto São Paulo, tornou-se desvairada, sem juízo ou equilíbrio, mas intensamente amada.
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