Manaus, 25 de fevereiro de 2024

Campeões de voto

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De vez em quando, para surpresa geral, emergem das urnas algumas surpresas. Estas se dão quando a escolha de um candidato é feita de forma preferencial e maciça pelos eleitores e este se torna o mais votado do pleito, de modo excepcional, superando recordes.

Em alguns casos parece um passe de mágica; em outros, resulta de trabalho silencioso que vinha sendo realizado em meio a grupos sociais vinculados a igrejas, nas emissoras de rádio e tevê, instituições sociais e desportivas, consultórios, hospitais, clínicas de saúde ou no cumprimento de atividade pública de relevância.

Na história política de nosso Estado há alguns destes vencedores que, a seu tempo e de certa forma, escandalizaram a imprensa e os partidos, obtendo votação mais do que consagradora: acachapante. E, diga-se de passagem, quase todos iniciantes ou jovens recém-iniciados nas lutas partidárias e eleitorais, a sinalizarem que o desejo de renovação esteve presente no ânimo do povo.

Para não ir muito longe, basta lembrar o fenômeno Josué Filho, repetido em inúmeras eleições para cargos de vereador e deputado estadual, arrastando bairros inteiros, vencendo em todas as zonas da capital, levando consigo vários outros candidatos da mesma legenda ou coligação e conseguindo formar bancada parlamentar numericamente expressiva. Vale dizer, igualmente, que o desempenho de Josué nos mandatos que lhe foram confiados sempre foi de alta satisfação e reconhecimento popular e à altura das tradições da família e de sua formação moral e intelectual. Outros poderiam ser referidos, como José Costa de Aquino e Arthur Bisneto que explodiram em um único pleito, e os irmãos Souza, por exemplo, mas nenhum destes conseguiu os resultados e a longevidade política e eleitoral de Josué Filho. O carismático e idealista Josué.

No pleito cuja primeira etapa acaba de ser encerrada esse fato se repetiu. Dessa feita, com um jovem que ainda estava experimentando o seu primeiro mandato como vereador, para cujo período foi o mais votado. De fácil trato com a comunicação moderna via redes sociais, de ânimo fiscalizador, demonstrando coragem e certa dose de audácia e fazendo campanha com inteligência, Amon Mendel bateu todos os recordes sendo escolhido por mais de 288 mil eleitores para exercer o mandato de deputado federal pelo Amazonas. Há de ter sido resultado da coerência, firmeza de posições, juventude, coragem vingadora, desejo de mudança e a forma como ele se posicionou no exercício da vereança.

Entretanto, cabe aqui um registro histórico que, tenho quase certeza, a maioria dos leitores não tem conhecimento: a raiz política que esse jovem carrega no sangue, a dar-lhe, possivelmente, o traquejo que demonstra. Voltando no tempo e reconstruindo os laços de sua família, encontramos Avelino Pereira, homem correto, médico, jornalista e político, como seu bisavô. Na mesma esteira e linhagem, pelo ramo de sua bisavó materna, deparamos com Antônio Gonçalves Pereira de Sá Peixoto, deputado estadual e federal, senador, vice-governador, desembargador e chefe de partido, decisivo em inúmeras situações da vida amazonense. Volvendo ainda mais na fase final do Império (1880-1889) e da Primeira República (1890-1896), eis que encontramos Emílio José Moreira, presidente da Assembleia por anos, deputado provincial e estadual, chefe de partido e um dos maiores líderes de seu tempo, como seu tetravô. Como se não bastasse, António Moreira e Guilherme Moreira, irmãos de Emílio, igualmente influentes políticos. Sem falar nos agregados por meio de casamento e que foram relevantes em partidos, mandatos e governos: e foram muitos.

Quem sabe algum pesquisador resolve aprofundar esse tema e estudar a aceitação popular desses e de outros campeões de votos, mas, também e principalmente, a razão de ser da escolha exponencial do eleitorado em relação a esses candidatos, e, mais que isso, a efetividade e coerência dos mandatos que exerceram e os motivos de terem deixado a ribalta ou não terem repetido a façanha.

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