Manaus, 11 de dezembro de 2023

Mano Jorge vive entre nós

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Pra você, Mano Jorge,

Pra você, essa cantiga de amor,

Essa cantiga de amor 

Silvia Aranha

O pastor conhece suas ovelhas, e as ovelhas conhecem o seu pastor. Foi o que escreveu João, o Evangelista (João 10, 14), como lembrou a Irmã Marília de Menezes no artigo que publicou sobre Dom Jorge, Bispo de Itacoatiara.

Marília conta que ficou impressionada com a gente simples que vinha visitar o Bispo, quando este já estava muito doente. Essas pessoas, sem cargos importantes ou sem títulos acadêmicos, pediam a ela, Marília, para dizer a Dom Jorge que se tratava de Maria, de Tereza, de Raimundo, de Pedro…, e, quando não diziam o nome, diziam o apelido, mas sempre complementando: ele me conhece, ele me conhece…

E era verdade. Dom Jorge conhecia todo mundo, como o bom pastor que conhece cada uma das suas ovelhas. A recíproca também era verdadeira. Se o pastor, por estar bastante debilitado, não aparecia para ver as ovelhas, estas vinham vê-lo. E não havia melhor cartão de visita para ser anunciado que ele me conhece, ele me conhece.

Apesar do título eclesiástico de Bispo, o povo sempre via Jorge como um parente, um amigo. Em vez de Dom, que significa Dono, Senhor, o povo continuou chamando-o de Padre, que significa Pai, Protetor, o que era muito mais a cara dele! Era comum se ouvir: nosso Bispo é o Padre Jorge.  Em Urucará, era tratado por Mano Jorge. Numa comunidade de Itacoatiara, alguém resumiu tudo a respeito dele: não é um bispo; é gente que nem a gente, como nos conta Silvia Aranha, no seu livro Mano Jorge (Valer, 2008).

Se alguém chamasse Dom Jorge de Dom Carisma, também não estaria longe da verdade. Jorge é daqueles que chegam e conquistam imediatamente o coração da gente, porque se entregava inteiro ao serviço do próximo, olhando o humilde como irmão e companheiro, e não como dono ou senhor. O emblemático anel episcopal de caroço de tucumã (que bem podia ser de ouro), já dizia tudo a seu respeito. Por isso Jorge continuará vivo entre nós. Vivíssimo, através de dezenas de vozes e mãos voluntárias dos integrantes da Associação Dom Jorge Marskell, que continuam a missão jorgiana de cultivar a fé, o amor e a esperança no espírito das crianças, jovens, idosos, doentes e detentos.

Agora, Jorge fala, canta e renova promessas, através das crianças, jovens e adultos, que participaram do CD Cantigas da Terra, lançado neste dia 25 de julho, fruto do esforço de muita gente, como Jucilene, Terezinha, André, Ely, Tyrso, Silvia, para falar apenas de algumas entre as dezenas de pessoas que contribuíram.

Como se vê, o velho barco Calamatã continuará singrando as inquietas águas desse Amazonas Moreno, pregando Renovação de fé e amor, navegando de porto em Porto de Lenha, enfrentando o perigo dos Rebojos,desencantando o lendáriO Boto, em busca de Terra Firme, para firmar resistência na solidez das Pedra(s) Pintada(s), e, assim, o Mano Jorge, como se fora o Último Condor sobrevoando a Amazônia, levado nos braços do ventoCruviana, continuará conclamando o povo para não desistir do Puxirum de Farinhada da Vida, na esperança que, num belo dia, os sofrimentos da Senzalae o Clamor do Índio sejam experiências superadas, e que todos possam celebrarA Grande Festa da comunhão e da solidariedade.

Parabéns a todos vocês!

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Referências:

Ribeiro, Silvia Aranha de Oliveira. Mano Jorge – Biografia de Dom Jorge Marskell. Manaus: Editora Valer, 2008.

Menezes, Marília de, artigo “Ele me conhece”. in Ribeiro, Silva Aranha de Oliveira. (idem, pg.52, 53).

Associação Dom Jorge Marskell. CD Cantigas da Terra, 2015.

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