Manaus, 23 de junho de 2026

Crônicas do Cotidiano: Como será a “Nova Coisa”?

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Aquilo que sacia a nossa curiosidade nem sempre é encontrável nas prateleiras das lojas ou nos salões de venda dos shoppings, fica nos subterrâneos do mundo; mas, depois de dizer para os mais novos o que foi “a coisa”, o seu modus operandi e as consequências nefastas de suas ações, talvez sem lupa, já se possa identificar os ovos da serpente, de triste memória, chocando num canto qualquer do país. Para que exista, “a coisa” precisa de um corpo significativo de gente perversa, intrinsecamente corrupta e capaz de corromper tudo que toca, de vira-latas e traidores bem arrumados e seguros de que suas ações “secretas” encontrarão eco em cabeças ocas e mentes predestinadas ao sectarismo, em doses cavalares. Os tempos são outros, eu sei, mas os efeitos desejados são os mesmos de outrora. Sei, também, que a preocupação pode ser fruto de exagero dos que reconhecem que o passar dos tempos não é esponja sobre a nossa memória. A “coisa” existiu!

Assim como as Bruxas, o IBAD existiu, existe e vem se recompondo; redivivo na sua pujança, será um perigo, a “Nova Coisa”! Afinal, o que significa IBAD? De carreirinha, a sigla significa INSTITUTO BRASILEIRO DE AÇÃO DEMOCRÁTICA (não confundir com IBAD-Instituto Bíblico das Assembleias de Deus), uma Organização Doutrinária e de Ação Política que reuniu adeptos da Direita e da Extrema Direita Brasileiras orbitando as esferas e as franjas do poder político do país, criado em 1959. Dele faziam parte intelectuais, políticos, empresários, religiosos, militares, lideranças sindicais e artistas. Propunha-se, cinicamente, combater o Populismo, o Comunismo, a Corrupção e os Governos que pregavam as Reformas Políticas, Educacionais e Econômicas, mais conhecidas à época como “Reformas de Base”. Atuava junto ao Parlamento, aos Partidos Políticos, Escolas e Universidades, Sindicatos, Organizações Religiosas e, fortemente, junto aos meios de comunicação da época (jornais, emissoras e rádio, estúdios cinematográficos, agências publicitárias e emissoras nascentes de televisão). Suas ações eram coadjuvadas pelo IPES (Instituto de Pesquisa e Estudos Sociais), a quem cabia refinar o pensamento ideológico do grupo para disseminação em toda a sociedade, em diversos formatos. E quem pagava a conta? Havia contribuição do setor privado e, sobretudo, das empresas multinacionais. Em menor quantidade, a contribuição pública, via uso indevido de recursos. Mas, “o grosso do dinheiro” vinha do Governo Americano, através de suas agências assistencialistas voltadas para a América Latina e, mais especificamente, através da CIA (Agência Central de Inteligência, dos EUA). Esse dinheiro todo era usado para bancar Candidaturas, de vereador à Presidente da República, embora não negligenciasse nos financiamentos de Grupos Golpistas. Foi extinto em dezembro de 1964, sendo grande parte de seus quadros integrados ao Serviço Nacional de Informações do Brasil (SNI), um caso inédito de estatização, pela Ditadura, de organismo civil e privado, para encobrir o seu papel ideológico e estratégico na formulação do pensamento e das ações no Golpe Civil-Militar de 1964.

O que estamos a ver muito se assemelha ao que foi descrito acima. Os agentes estranhos aparecem infiltrados em todos os ambientes públicos e privados. A representação no Parlamento está contaminada por políticos que fazem lobby de grupos privados contra os interesses nacionais à luz do dia. Jornalistas, comentaristas políticos e econômicos nas mídias, artistas comediantes e marketeiros falando coisas estranhas e, cada vez mais, surgem grupos organizados de igrejas, setores do empresariado e até de “pobres bestas” que defendem o fim dos programas sociais, flexibilização das leis trabalhistas que nos igualariam aos modos de trabalho dos EUA, com negociações diretas com os patrões e o fim dos Sindicatos. Tudo pelo “empreendedorismo”! Sem falar dos que defendem intervenções diretas do Governo Americano em questões internas brasileiras, seja na política, na Segurança Pública, no Sistema de Justiça, no uso da Internet e até mesmo no sistema fiscal e financeiro do país. Vale lembrar que o IBAD deu trabalho e nos rendeu mais de vinte anos de Ditadura. A “nova coisa”, como ovo de serpente, anda por aí. Todo cuidado é pouco e toda vigilância será benigna para não conspurcar a Democracia que conquistamos!

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